É fácil ser homem, hetero branco e gritar resistência e revolução.

Por Mariana Camara.

Nem sempre os líderes de um movimento revolucionário vão ser negros, indígenas, mulheres, deficientes, pessoas trans e travestis e pessoas não- heterossexuais. É importante sim que as pessoas que participem ou até conduzão as lutas por direitos sejam minorias, mas a liderança ou até a participação não devem ser limitadas ou dividas pelos privilégios de gênero ou raça.

Tomemos como exemplo a Revolução Russa, em 1917. Onde Lenin liderou a revolução e ele( Pasmem!) não era negro, nem gay, nem trans e nem mulher, mas desempenhou e marcou a história da Rússia e da humanidade. Não é por acaso que é lembrado constantemente. Além dele, teve figuras ilustres a serem destacadas no período e nas reivindicações, como Alexandra Kollontai.

É importante entendermos que não é certeza que uma minoria, ao ser líder, seja revolucionária. E que um homem cis, branco e hetero nem sempre irá ser contra nossas lutas.

Até porque a luta não é só racial, étnica, de gênero, sexualidade. Mas, antes de tudo, ela é de classes. O homem cis hetero e branco pode ser privilegiado por gênero e cor mas, ao ser da classe operária, ele também desempenha um papel no movimento.


A Revolução precisa vir ligada a classe. Não conseguiremos ter uma sociedade mais justa, igualitária se só considerarmos a raça e o gênero. A classe desempenha um importante papel em nossas vidas. Porque um trabalhador branco pode não ter a mesma voz que uma negra rica. O capital dá poder antes da cor e do gênero. A Revolução será proletária ou não será.