amanhã de noite já é natal.

amanhã é aquela noite do ano que eu sofro porque não dá pra jantar antes da meia noite.

eu não sei se a mãe de vocês faz isso com vocês, mas a minha faz. ela leva — e muito — a sério essa história do natal.

a casa cheia de enfeites, o menino jesus se repete em manjedouras em cima de aparadores, a árvore de natal é a criatura viva mais alta da casa.

bolinhas. pequenas, médias, coloridas, bolinhas de natal. exemplares de papai noel parei de contar mais ou menos no 27.

mas tudo bem. fora o jejum forçado até a hora de brindar a virada da noite (que eu nunca entendi muito bem o motivo de fazer isso), nosso natal é divertido. não é um natal de presentes. é um natal de pagode pra dançar no meio da sala. é um natal de relembrar como roupa nova é brega — e bom.

é um natal para se SER presente. amanhã vamos trocar livros, apenas um livro. com possibilidade de roubarmos os livros uns dos outros. eu achei isso o máximo.

eu confesso para vocês que dei presentes neste natal. eu listei as pessoas que mais mereciam um momento seu, apenas seu, de gratidão e lembrança. e enviei um presentinho a elas. aquelas pessoas que passam o ano servindo a gente, sabe? não aquela sua tia que nunca tá nem aí e só aparece no natal, não. muito menos seus pais, que você tem oportunidade de presentear todo santo dia, mas no natal é que sai correndo pra fazer isso porque vira obrigação. não.

a esposa do zelador, que mora com ele naquele apartamento que alguém decidiu chamar de apartamento, mas que é um quarto-sala pequeno pra caramba. o zelador troca uma lâmpada e ganha um trocado a mais. e ela?

as pessoas que cuidam da gente, da nossa casa, da nossa louça suja, da nossa roupa suja. vocês já pararam pra pensar que a gente criou uma mania incurável de pedir pros outros cuidarem da nossa sujeira?

são essas as pessoas que merecem uma lembrança. porque elas merecem MUITO ser lembradas.

fora isso, eu quero tanto que a gente dê menos presentes. sempre sempre sempre quis. e agora acho o máximo que tem um povo querendo também. mas ainda fico triste com o quanto a gente compra.

Você ainda está correndo sem parar, comprando sem pensar e esqueceu aquela verdade bonita: nada do que importa você pode pegar com as mãos? Toma com água, escriba. do Go, Writers.
roubado da cris, do go, writers.

eu queria que a gente dançasse nosso presente. declamasse nosso presente. desenhasse nosso presente. cantasse nosso presente. fotografasse com a máquina do vovô nosso presente.

queria que a gente cozinhasse nosso presente. que a sujasse as mãos pelo nosso presente.

essa frase que roubei da Cris que fala sobre nada do que importa a gente pode pegar com as mãos é uma bela metáfora disso tudo.

desejo bastante que a gente crie as experiências que se podem sentir e que, mesmo que a gente esqueça tudo isso, no final, a nossa sensação pela vida seja de que foi lindo, foi foda, foi bom enquanto durou e nada poderia ter sido melhor do que fizemos ser. feliz natal. e pra quem tem a chance de jantar mais cedo amanhã, que inveja de vocês.

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