mas, enfim, como são as coisas?

tem a anais nin, que disse que:

não vemos as coisas como elas são: vemos as coisas como nós somos.

(eu nunca sei como é a tradução "oficial" dessa frase, mas gostei assim.)

tem o renato russo, que talvez tenha dito (porque eu nunca confio muito nessas atribuições de frases a pessoas que a gente vê na internet):

quando tudo nos parece dar errado
acontecem coisas boas
que não teriam acontecido
se tudo tivesse dado certo.

tem alguém, que eu não sei quem, que disse:

as melhores coisas da vida não são coisas.

deve ter alguma frase da/atribuída à clarice lispector na internet contendo a palavra coisas, que eu não encontrei.

tem o mario quintana, que disse:

se as coisas são inatingíveis… ora!
não é motivo para não querê-las…
que tristes os caminhos, se não fora
a presença distante das estrelas!

e tem a minha terapeuta, que na sexta passada estava linda e poderosa como nunca e disse algo assim:

as coisas não são como são. as coisas estão como a gente deixa.

e eu estive refletindo sobre tudo isso nesses dois últimos dias.

as coisas são assim como são? elas são diferentes porque a gente interfere de alguma forma? se a gente não estivesse ali, naquele momento, elas seriam diferentes? diferentes, como? como saberemos, se não estamos ali?

e o que são essas coisas?

ufa, muita coisa. literalmente.

fiquei confusa. pensante. brigando com meus pensamentos porque não conseguia encaixotar nada.

(eu tenho uma grande tendência a organizar mentalmente todas as coisas, ter tudo em caixinhas pré-determinadas e ufa, que bom, tá tudo resolvido, nada mais me incomoda e não preciso me preocupar. coisas "não faladas / não resolvidas / não feitas" me perturbam profundamente. e esse assunto ficou algumas horas se debatendo dentro de mim, o que gerou um belo desconforto.)

não consegui entender. categorizar. catalogar. pensamentos de um caos dentro de mim.

a gente se coloca nas situações? a gente provoca o que acontece conosco? a gente cria as coisas? é a vida? é destino? é deus? é a gente? estava tudo escrito numa pedra medieval ou pré-histórica ou no universo ou numa galáxia?

eu não sei. e isso em deixa bastante desconfortável.

o que eu tenho aprendido é que todas as coisas que acontecem conosco e ao nosso redor ativam sistemas dentro de nós. e muitas vezes esses sistemas não são saudáveis. são traumas, problemas, medos, inseguranças, dúvidas. são janelas que a gente fechou para se esconder.

e a gente se perde entre ser quem se é versus estar inserido naquele momento / grupo / projeto / família / casa / relacionamento. a gente não consegue mais delinear o que é nosso e o que é o entorno. parece que vamos nos dissolvendo a ponto de não lembrar mais dos nossos valores.

então o exercício é entender: o que aconteceu / está acontecendo? como isso me afeta? como eu quero reagir? (eu já falei sobre isso aqui, né?). o que é meu? o que não é meu?

e, pensando bem, a frase da minha terapeuta é muito maravilhosa, porque além de colocar as coisas em perspectiva, contém em si uma grandíssima esperança: se as coisas não são simplesmente como são, e elas de fato estão como a gente deixa, significa que podemos estar vivendo o que quisermos viver, o que desejamos, o que acreditamos que vai alimentar nossa existência e nossa alma.

dá trabalho, né? eu sei. mas é aí que está a beleza de viver: lutar, de verdade, para ser quem se é.

uma música pra ouvir: https://www.youtube.com/watch?v=LeKgycXC8EU

❤ panama ❤

(estou poética, hoje, hein?)

texto dedicado à Luana Flores.