meu novo projeto: o restaurante temporário.

quando eu era criança um duende morava na cozinha da minha casa. apesar de nunca ter tido a sorte de esbarrar com ele, eu sei que ele morava lá, naquela esquina entre o fogão e uma janela que levava à lavanderia. não sei ao certo se todo duende é também um mágico, mas esse era, vocês não podem imaginar o que ele fazia… sempre que meu pai estava fazendo arroz, chamava o tal duende, que depressa aparecia para deixar o nosso arroz colorido.

era açafrão, né, pai. anos depois eu descobri tudo.

(em tempo: ontem, no Dia dos Pais, lendo esse texto pra ele, descobri que o duende na verdade colocava coisinhas coloridas na comida, tipo cenoura. o arroz colorido com açafrão também rolava, mas aparentemente não era feito pelo duende.)

meu pai sempre me obrigou a ficar na cozinha enquanto ele cozinhava. e ajudar. era um saco. eu só queria fazer ~as minhas coisas, pai. mas ele nunca deu ouvidos. para ele, não tinha criança ficar esperando ser servida, não tinha criança ficar na sala vendo TV enquanto a comida magicamente aparecia na mesa, mesa essa que também aparecia posta do nada. não tinha.

não tinha comer porcaria ~só porque estava com fome. ele dizia: “faz parte da educação das crianças esperar pela hora de comer”. e eu, de novo, só queria fazer ~as minhas coisas. mas tinha que fazer molho branco, montar lasanha, coisas assim.

agora eu fiquei velha. médio velha, vai. e hoje as coisas mais importantes para mim são justamente algumas das quais ele me enchia tanto a paciência pra fazer. eu lembro de implorar parar de mexer o molho branco (meu braço cansava / estava com preguiça) e ele dizia que ainda não estava pronto. e não dava pra desistir. e se parasse de mexer ia embolotar.

acho que poderia ter sido mais fácil me deixar na frente da TV e me chamar com aquele clássico “tá pronto, vem comer” do que viver pentelhando a minha vida pra eu aprender o valor da comida e da cozinha. pai, ainda bem que você nunca desistiu. graças a você aprendi que as coisas não aparecem prontas, aprendi que a comida é um serviço de amor à família e aos amigos. aprendi sobre processos, sobre o fazer, esperar, conversar, aproveitar.

e agora chego aqui com toda alegria de começar um novo projeto que une várias das minhas paixões: empreendedorismo, comida e crianças. (para quem não sabe ou não me conhece direito, sou aspirante a babá desde que me conheço por gente, e hoje tenho a sorte de passar um belíssimo tempo da minha vida com dois enteados queridos e amados que ganhei de presente da vida, o Augusto e o Vicente).

o restaurante temporário será um ambiente divertido e cheio de descobertas para crianças que precisam de um empurrão para entrar na cozinha. viveremos juntos uma experiência sobre empreendedorismo, objetivos, trabalho em equipe, serviço, organização e, claro, cozinhar muito!

em breve divulgarei a primeira data do projeto e todas as informações sobre ele. por enquanto, em fase de teste, abrirei a turminha para filhos de amigos, ou de amigos de amigos. como uma empreendedora com seis anos de erros e acertos no currículo da minha empresa, sei que precisamos prototipar e fazer, para depois ir acertando rumos e aperfeiçoando o projeto. o evento acontecerá na minha casa, que já passou pela experiência de se tornar um restaurante temporário e adorou! ;)

é isso, pessoal, estou aqui de coração aberto e pronta para começar do zero mais um projeto. seria injusto com todos os meus outros eventos dizer que esse tem um sabor mais que especial, é quase como unir todos os meus sonhos em uma coisa só, mas é isso. o restaurante temporário está sendo, para mim, a jornada de crescimento e autoconhecimento que eu precisava viver.

em breve pertinho de você o restaurante temporário: lições de empreendedorismo, cozinha e amor para crianças. uma jornada de um dia para criar transformações para uma vida.