minhas memórias virtuais de mim.

uma das ferramentas que me causa curiosidade no facebook é aquela revisar passado. você está em 2016, ele te mostra tudo que você estava fazendo no dia de hoje, só que nos anos passados.

eu não consigo não clicar.

e quando eu clico, eu fico me testando. bem ridícula. eu fico olhando pra mim mesma, no passado, e julgando o que eu escrevi, o que eu pensava, o que eu era. qual o sentido disso?

nesse dia de hoje, em 2015, por exemplo uma amiga repostou algo que eu escrevi, mais ou menos assim:

“as coisas não são como a gente imagina. nem aquelas que a gente mesmo cria. o que temos em mente não está inserido em nenhum sistema. quando uma criação nossa vai para o mundo, ela sofre interferências de todos os tipos. lidar com isso é desapego. contemplar sempre vai ser mais útil do que reclamar.”

legal, funciona, ainda concordo. me sinto bem. (pra falar a verdade me sinto meio estranha, porque esse conhecimento deve ter vindo de algum remix de coisas que estudei / aprendi, e eu ainda me esforço, todos os dias, pra contemplar mais do que reclamar. como diz a Lama Caroline, de quem tive a sorte de receber ensinamentos ontem e hoje: "work in progress".)

seguindo o baile. aí postei uma foto bonita, então continuo rodando pra baixo esse apanhado de memórias e me sinto ok.

em 2014 eu também andava irritada com o pessoal que passava pela vida sem encher de volta as forminhas de gelo:

o mundo se divide entre as pessoas que usam o gelo e enchem a forminha de novo e as que usam e guardam VAZIO depois.

em 2014 eu também estava estudando sobre os alimentos gerarem sensações de frio ou de calor quando entram no corpo da gente. não apenas aquela sopa que te faz — às vezes literalmente — suar. mas todos os alimentos impactam na temperatura do nosso corpo. e eu estava bem curiosa sobre isso.

em 2013 eu postei várias frases totalmente nada a ver no mesmo dia, um hábito que eu tive por algum tempo. eu queria que as pessoas me achassem engraçada ou refletissem sobre algum assunto. será que essa ainda sou eu?

será que eu posto coisas pensando que eu quero que as pessoas achem, comentem, respondam? por que será que a gente faz isso? será que eu posto coisas que eu acho que podem tocar de alguma forma a vida dos outros? será que eu posto coisas pra ser amada / gostada? por quem? por quê? qual o sentido de tudo isso? alguém tem percepções sobre isso para compartilhar?

o final de janeiro, pelo que me contam minhas memórias feicebokianas, também é um período em que eu sofro porque meu aniversário já passou. é bem curioso esse negócio de fazer aniversário no início do ano.

  1. ninguém lembra, tá todo mundo na praia. na rua, na chuva, na fazenda, numa casinha de sapê. ninguém tá nem aí.
  2. quando alguém pergunta sobre o seu aniversário, você tem que responder: eu já fiz aniversário esse ano. o ano inteiro é assim.
  3. mesmo quando chega dezembro e seu aniversário está quase chegando, ele ainda assim é sempre só no ano que vem.
  4. resumindo, o tempo que existe entre o ano começar e ser quase seu aniversário são 8 míseros dias. que conforme mencionado no item 1, não valem pra nada, porque ninguém está nem aí, tá todo mundo dando aleluia que se livrou do ano que passou e da ressaca do ano novo. confere, produção?

a data que a gente faz aniversário influencia na nossa personalidade, já diriam os astrólogos. e eu sofro com isso anualmente.

daí teve um ano, não lembro qual, que eu queria parar o mundo e descer. um clássico. acontece uma vez por semana por aqui.

seguindo as coisas intermináveis que eu postava, eu tinha alguma esperança sobre o amor. mas nem interessa em que ano foi, pois esperanças de amor me acompanham e irão me acompanhar enquanto eu viver.

resumindo, então, esse papo todo, estou com a sensação de que a gente está sempre tentando catalogar as experiências que já viveu e achar que somos definidos por isso.

nós somos eternamente causa e consequência. no que investimos tempo e energia agora é a nossa vida de daqui a pouquinho. o que a gente faz todos os dias é mais importante do que a gente faz uma vez que outra.

eu olho pra trás e não gosto de tanta coisa que já rolou na minha vida, tanta coisa que eu já fiz, mas que faria totalmente diferente, se eu tivesse a oportunidade agora.

mas é essa a questão: não temos mais oportunidades de passado. e o passado não nos define, não. o que a gente viveu nos prepara, o presente de do dia de hoje é ter a chance, todos os dias, de criar amanhã (pelo menos um pouquinho) melhores.

o felipe guga postou isso hoje.

ps: acordei com esse texto e demorei horas pra terminar. entre uma coisa e outra, vi um post do Felipe Guga com essa frase. está tudo conectado. e toda a sincronicidade das coisas é perfeita.

ps2: em 2013, não sei o motivo, eu escrevi essa frase:

nem adianta trazer meu chapéu, pois acabo de perder a cabeça.

sou uma filósofa sem precedentes, vocês não acham? :P