puerpério: o que fazer?

tamo junta nesse papo de parto humanizado e o workshop de hoje é sobre o bendito (que seja) puerpério.

antes disso, uma enquete: alguém que está lendo esse texto já tinha ouvido falar nessa palavra antes de engravidar / estar perto ou em contato com alguém que engravidou? eu NUNCA tinha ouvido falar essa palavra.

agora fui pesquisar e encontrei a definição dada pela obstetrícia:

período que decorre desde o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem às condições anteriores à gestação.

uau, que bom saber que meus órgãos e meu ~estado geral irão voltar às condições anteriores, um alento. brincadeiras à parte, tá aqui mais um tema polêmico. o que acontece quando você chega com seu bebê em casa? muitas amigas, livros, blogs e vídeos já tinham me alertado sobre o terremoto de emoções que poderia ser essa fase. e pra quem, como eu, decidiu passar a quarentena basicamente em casa com o bebê, os dias às vezes passam em meia hora. e às vezes não terminam nunca.

(tem gente que sai de casa para a balada do shopping center com bebês pequenos, tem vizinha minha que comentou sobre ir passear na feira com o filho de cinco dias, tem quem ande de metrô com filho de 15 dias. tem outra que não tirou o bebê de casa por seis meses. ema ema ema, cada um no seu quadrado. o que faz sentido pra você é o que você deve fazer.)


o que eu vim comentar aqui, rapidamente, enquanto a minha filha dorme uma soneca depois de chorar de cólicas e não ficar sozinha DE JEITO NENHUM desde as 4h da manhã, é que mesmo quando as situações não são fáceis, a gente precisa se manter leve. e é esse o aprendizado. a vida de TODO MUNDO ao seu redor segue exatamente a mesma. o pessoal vai almoçar às 12h porque tem que sair pro trabalho, mas se às 12h você estiver com o filhote pendurado no peito, você vai almoçar… sozinha. quando der.

aquela história de aproveitar pra dormir durante o dia enquanto o bebê dorme pra mim simplesmente não rolou. não consigo dormir. a real é que eu tenho dormido (em blocos) razoavelmente bem à noite. então o que fazer com o tédio? inventei coisas.

// se ela está dormindo, eu posso fazer coisas que envolvem movimento ou computador. dar uma olhadinha básica nos emails (sou empreendedora, gente, não consigo abandonar minha empresa, mimimi), aproveitar para arrumar alguma coisa na casa que eu queria arrumar há tempos, fazer uma comidinha especialmente pra mim mesma (já que não tem mais ninguém em casa mesmo, rssss)

também tenho feito planos, pesquisado preços de passagens para todos os lugares do mundo sonhando que um dia voltarei a viajar, SIM. até aula nova de Design de Experiência para Eventos eu estou criando.

// se ela está mamando (e ela mama muito e muitas vezes) eu vejo filmes, vídeos e leio. ou durmo amamentando, porque tem vezes que a bichinha suga tanto que chega a dar um barato.

já vi quarto filmes brasileiros nesses últimos dias, hahaha. (aliás, uma comédia brasileira pra não ter que pensar em mais nada é bem legal para o tempo passar de maneira leve, acredite.)

agora, por exemplo, ela estava mamando e comecei um filme. ela dormiu. pausei o filme e vim escrever. quando ela acordar, eu volto pro filme. eu acho linda essa ideia romântica de que amamentar é estar ali presente, olhando pro filho, entregue e apaixonada. mas quando amamentar vira basicamente o que você faz o dia inteiro, ficar olhando para minha filha esse tempo todo viraria um torcicolo.


tem muita mulher que passa por esse momento de uma forma bem mais complicada que a minha, sim. é muita mudança, são muitos hormônios, e o mais forte de tudo isso: a solidão. você está sozinha, sim. é com você o negócio, amiga. é preciso se responsabilizar. dá pra ter uma rede de apoio, pessoas que ajudam e que dão suporte, mas eu realmente acredito que o passo mais importante a ser dado, por cada mulher puérpera, é responsabilizar-se de cada passo seu nessa transformação do que você sempre foi para o desconhecido que você irá se tornar.


e para terminar, fechem o Google, porque isso aqui não é imagem que traduz a REAL do puerpério, amigues. é preciso mostrar a realidade para que a gente não se iluda, não romantize e não crie cenários que são simplesmente inviáveis. a distância entre o que idealizamos e a realidade é o tamanho do tombo que iremos cair se a gente perpetuar imagens como essa de uma perfeição que não existe.

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