sendo turista na sua própria cidade. ou como buscar inspirações e referências. ou o que fazer num sábado de sol em sp.
eu não sei vocês, mas toda a vez que alguém fala "sábado de sol" eu imediatamente penso "aluguei um caminhão. pra levar a galera pra comer feijão". e por aí segue. não que isso tenha qualquer conexão com o texto que estou escrevendo, mas apenas o fato de digitar o tal sábado de sol já me fez cantarolar.

enfim.
essa história toda começou porque eu estou morrendo de vontade de viajar. e porque tem dois turistas malucos ficando na minha casa. mais que isso, eles são nômades. vivem viajando pelo mundo. inveja. INVEJA. fora isso, meu marido acaba de embarcar pro TEDSummit. que ódio.
odeio todo mundo que está conhecendo lugares novos agora. odeio todos que estão fazendo malas para sair a explorar algum lugar do mundo. odeio os que estão embarcando, conseguindo vistos, tomando café da manhã num avião antes de pousar. odeio.
ter pessoas nômades ficando na sua casa pode ser irritante. você pensa em todos os lugares que eles foram / podem ir e surta. eu surto, pelo menos. mas tudo bem, a vida segue. aí em vez de continuar odiando todo mundo, resolvi sair andando pela cidade onde moro e ser turista aqui mesmo.
ser turista aqui mesmo tem a ver com aquele papo de "viver em modo avião". essa é uma história engraçada que eu já contei por aqui, né? pra quem não sabe / lembra, isso foi uma conversa com uma amiga. que virou modo de viver para ambas. que virou também a empresa dela. juro.

acordei e pensei: não dá pra viajar, certo? mas dá pra fingir que estou viajando e colocar a vida em modo avião. tchau, whatsapp. tchau, grupos cheios de coisas que não quero ler no whatsapp. tchau, qualquer coisa que qualquer pessoa ache / pense / queira de mim hoje que não seja o que eu acho / penso / quero. vamos lá.
não fiz tudo isso pra virar um post no medium, mas me senti super inspirada por uma amiga a fazer isso. e mais ainda, me senti inspirada por uma galera que curtiu a ideia de ler sobre inspirações / referências de eventos que eu curto, sigo, amo, sonho. então, quer saber, vou compartilhar o que eu estiver a fim a partir de agora.
chega de ficar achando.
achando que ninguém quer ler. achando que não faz sentido. achando, achando, achando. achando que não sei o suficiente. achando que tem gente que sabe mais. achando que as fotos estão ruins. achando que o fulano ou a fulana fariam melhor. blé. pra mim. a gente fica achando um monte de coisa que não existe enquanto deveria estar apenas contemplando as que, de fato, existem.
filosofias à parte, fui ser turista em são paulo. e a ideia toda desse post é contar e inspirar vocês a serem mais turistas por onde andarem, estejam viajando ou não.
vamos dar um rolê?


essa escadaria é ponto turístico pela vila, e foi revitalizada recentemente. ao lado, dentro desse galpão doido, tinha uma feirinha rolando. e um concerto de violinos. começamos bem. se alguém souber onde olhar programação e referências desse galpão, posta aí ;)

um concerto de violinos numa feirinha bem doida pra iniciar meu dia de turista com bastante inspiração. foto ruim. azar. :)


continuo andando e vejo essas cadeirinhas bem lindas no meio da rua, esperando umas pessoas lindas sentarem. são paulo, você é tão divertida.
essa em preto e branco cheia de mensagens coladas é a Galeria Choque Cultural.






a única coisa a ser feita aqui é colocar os fones, ligar um bom som e olhar para os lados. simples assim. (parece londres, nyc, algo assim, né?)




andando mais um pouco — e vendo mais muros, mensagens, paredes e inspirações, você chega na The School of Life Brasil. ces sabem que eu já trabalhei com eles, que amo, adoro, indico e acho uma das escolas mais legais pra gente entender mais sobre essa vida doida que veio (pelo menos pra mim) sem manual de instruções. né?


depois dessa esquina aí eu parei para buscar o carro no mecânico. eu estava tão feliz andando pelas ruas e tive que buscar o carro. entrei no carro, liguei o som, mas fiquei deprê. toda aquela mágica de sair andando, olhando, andando, olhando, sumiu.
quem está dirigindo não olha para o que existe de mais humano nas ruas. quem está dirigindo precisa chegar salvo em um lugar x, evitando colidir com outros carros / objetos / pessoas, de preferência. não vou ficar aqui falando mal de carros, não é isso. carros são ferramentas, e como toda ferramenta, a gente precisa saber quando e como usar. e a vida modo automático em que a gente se coloca (especialmente em grandes cidades como são paulo) cria um fluxo bem errado, na minha opinião, que faz a gente simplesmente seguir modelos sem questionar.
por que mesmo a gente tem que estacionar perto (ou dentro) do lugar que queremos ir? por que mesmo a gente não estaciona fora / longe? foi quando comecei a pensar nisso que decidi entrar em qualquer rua perto do lugar onde eu estava indo, parar o carro e sair andando.
foi quando olhei para o lado e vi o sebo mais fofo da vida: Desculpe a Poeira. ele constava em alguma das minhas listas de lugares-que-vi-em-algum-lugar-e-quero-conhecer. pronto. tá aí.







o dono do sebo é o Ricardo, um cara gente fina que deve levar uma vida bem bacana de viver em volta de livros num modo slow total que me inspirou bastante. conversamos, trocamos ideias e foi então que ouvi de longe o som de um violino (na semana passada fui atacada por feiras. hoje foi a vez dos violinos).
voltei a andar. logo na próxima rua encontrei esse café coisa amadinha chamado Polska295. esses rapazes estavam tocando beatles. me apaixonei profundamente pelo lugar e pela ideia.



esse tal pierogi, explica uma moça simpática atrás do balcão, é "tipo um guioza". pra quem não sabe o que é guioza, é tipo um pastelzinho querido recheado com alguma coisa beeeem delícia, típico da culinária japonesa, que se come com um molho especial. quanta coisa dá pra aprender em um dia só, hein?

bem decidida a almoçar no mercado, fiquei por ali com os beatles-violino e tomei um café illy, brincando de palavras com os sachês de açúcar como se eu tivesse 7 anos novamente. (é boa essa vida se whatsapp, hein?).
mais uns 10min andando e chego ao meu templo: Mercado Municipal de Pinheiros. eu já estava fã desse lugar. e cada vez que volto encontro mais um motivo pra amar. o de hoje foi um restaurante novo, chamado Napoli Centrale, que faz pizzas bem italianas. mas bem italianas mesmo. daria pra comer o cheiro do lugar, juro.






comida boa. ingredientes deliciosos. o charme da simplicidade. estava bem cheia de razão a pessoa que disse que a simplicidade era o último grau de sofisticação. (leonardo da vinci, você é foda por ter tido essa ideia).
como uma boa produtora-capricorniana-cheia-de-listas, eu tinha uma lista de coisas para esse dia, claro.
os próximos da lista, confesso, também tinham bastante a ver com meu trabalho de criação na Altos Eventos. mas a vibe do modo avião também se aplica aqui. tenho falado isso com frequência para as minhas alunas queridas do curso de Design de Experiência para Eventos e repito aqui: a gente pode se reduzir a "produtoras de eventos". mas a gente também pode — e deve! — se colocar como criativas e criadoras. e quem cria precisa de referências, de inspiração. não tem de onde tirar novas ideias se a gente vive em casa / no escritório / na frente do computador. as melhores ideias estão no mundo lá fora, de verdade. esse é o trabalho.
passei no atelier da Señorita Galante. que chiqueza linda. tudo feito à mão, e dava pra sentir o carinho de cada nó, juro.




na sequência fui à Fêra Féra. clicando no feicebook deles dá pra ver a lista de expositores. e dá pra entrar em todasredesocial de todos eles pra ver mais. é um mundo à parte, gente.

separei algumas coisas que mais me chamaram a atenção.

toda arte linda da Mariana Caldas, da poeme-se.

a delicadeza e a poesia da Camila Lordelo, da eu líricas.


ilustrações, tipografia, quadrinhos, objetos de decoração, plantas, vasos cerâmica. tudo exalando amor de quem faz as coisas à mão, porque acredita naquilo. tinha como ser melhor?





depois de tudo isso ainda ganhei presente coisa querida para colocar na minha horta. ❤
eu estava prontinha pra guardar todas as inspirações e referências pra mim. egoísta? não. ando meio cansada desse blá blá blá narcisita das redes sociais e um monte de gente a fim de chuva de likes pra preencher vazios, sabe?
mas aí a Carol, minha amiga querida, me provocou a montar esse post e compartilhar. "tem gente que mora aqui e nem sabe desses lugares, Mari. aí tu pode postar e as pessoas vão conhecer". simples, né? então está feito. cheia de vontade que isso sirva pra alguém. e que sirva também pra gente começar a compartilhar coisas que façam sentido pros outros e não só pro nosso ego.

espero que faça sentido pra você: óiarua, amigue. tá bonito assim, num tá?