uma régua de 90cm, um barco a vela e onde você quer chegar?
um dia de crise.
quem nunca? aquele dia que parece desencaixado de você, aquele dia em que você acordou, sim, faz tempo, mas ainda parece estar hibernado em uma realidade paralela onde tudo é triste e nada funciona.
aqui vale um parênteses sobre esse negócio de "coisas funcionarem". eu tenho cinco planetas em capricórnio no meu bendito querido mapa astral. isso significa, na prática, que as coisas precisam funcionar. e bem. e rápido. e logo. e direito. e vamos para a próxima questão para resolver?
meu cérebro é assim. todo compartimentado em problemas para resolver, ele esquece de trocar ideias com o meu coração, tadinho, que adoraria ter mais espaço para sentir. mas nem sempre rola.
e eu fico vagando pela vida e resolvendo problemas. dos outros, quase sempre. montei até uma empresa pra fazer isso…
crise.
é o dia da crise. o dia de tentar entender o que é real, quem sou eu, o que estou fazendo aqui, o que fazer quando a régua de 90cm já está marcando 30. trinta centímetros passando. e o que fiz com cada um desses tempos, tempos meus?

eu sempre achei brega falar que amigues são tudo na nossa vida e ficar homenageando amizades por aí, mas eu preciso me render. chegou o meu dia de dizer que amigos são foda. e lindos. e especiais quando a gente precisa de colo. um colo, dois colos, três colos.
hoje chamei o help desk emocional de um amigo querido. foi ele que me disse essa história toda de régua de 90cm, o que ajuda a visualizar, de fato, quantos anos (será?) vamos viver e quantos cm dessa régua já se passaram.
e ele me disse pra não pensar tanto em o que não tenho feito, o que não fiz até aqui, o que não está me fazendo feliz.
ele me convidou para pensar como serão os próximos 5cm. como serão meus próximos 5cm? crise.
aí sentei e fiquei aqui pensando nisso tudo. enquanto isso, o spotify parece fazer piada de mim quando, ao ser aberto, seleciona automaticamente a música do criolo que lamenta que não existe amor em SP.
não precisa morrer pra ver Deus, não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você. — Criolo
eu com a minha sofrência toda e essa mensagem divida, só que não, pra me acalmar. só que não.
voltando ao help desk emocional. quase chorando (pela décima quinta vez no dia), eu disse que me sinto num barco a vela.
(agora estou em crise procurando no goooooooogle se barco a vela tem crase. e não consigo descobrir. e isso me deixa trancada nessa parte do texto, porque não consigo resolver).
barco a vela vai sem crase, decidi. me sinto num barco a vela, sem crase, sendo levada pelo vento, sem controle. e ainda tentando assoprar pra ver se a direção muda. assoprar.
essa conversa-metáfora de barco a vela rendeu um papo interessante. eu estou escrevendo desinteressadamente, para desabafar, mas se depender do Bernardo isso vira uma tese. um artigo, eu acho. pedi ajuda no facebook pra lembrar das metáforas que falamos e ele escreveu tudo bem perfeito e lindo e eu acho que esse texto deveria ser dele. de qualquer forma, resolvi fazer uma lista para fins de aprendizado interno.
- o barco a vela, com crase ou sem, não anda em linha reta. parece que ele anda, meio doido, em zigue-zague, e coisa e tal. e fico pensando… não estou tão acostumada com isso, de onde eu venho, o mundo apenas TEM QUE FUNCIONAR. e pensei também que quando alguém vê de fora a vida dos outros, sempre acha que tá tuuuuudo lindo, né? ficamos pensando se existe uma pessoa, uma só, que tá de boa com tudo. tudo tudo tudo tudo. alguém conhece?
- (agora veio uma música chamada alô alô, do toquinho, que diz: Vamos por aí / Sabendo que o mundo / É cruel e lindo. / Sem me iludir, / Às vezes chorando / E às vezes sorrindo. fala sério, spotify)
- agora roubando a explicação do Bernardo Lemgruber: Se o vento não estiver favorável e você não souber pra onde quer levar o barco, duas coisas podem acontecer: o barco vai parar, ou o barco vai seguir o vento. (oh céus, que metáfora desgraçada, não consigo não comentar isso).
- mais uma dele: Quando você não sabe onde quer chegar, não adianta ler os instrumentos náuticos. Não dá pra navegar. — cataploft.
entre réguas com marca d'água encontradas na web para ajudar a visualizar quantos anos já vivi nessa vida e barcos a vela, com crase, sem crase, o que fica desse dia cinza, chato, chuvoso e todo doido, pra mim é: sempre há dias piores, o que a gente tem que buscar é ser real.
e quanto à metáfora do barco a vela, guardei a parte mais interessante da lista para o final: no fim das contas, tá todo mundo no mesmo barco, não é?
ps: gratidão pelo help desk emocional e pela ajuda, querido Bernardo Lemgruber.