uma viagem, três eventos.
aqui estou, sentada em um café em Malmo, na Suécia. faltam algumas horas para eu ir embora para casa. vou tentar não morrer de saudades, mas já me sinto em estado grave de saúde. quando eu comprei essa passagem, sonhava que amamentar a Flora era uma coisa que duraria 2 anos inteiros e ela viria junto comigo pra cá. aconteceu que ela parou de mamar com mais ou menos 8 meses. e a passagem continuou igual, mesmo que a gente tenha decidido que ela ficaria com o papai e os avós. fico pensando quantos anos de prisão na Escandinávia para uma pessoa que rouba um bebê na rua. estou brincando. mesmo, juro. mas fico olhando os bebês de forma obcecada, sim.
CreativeMornings Summit, Rock Hills, NYC
essa viagem começou perto de NYC, com um acampamento de mais ou menos 300 organizadores do CreativeMornings de 89 cidades do mundo. foram três dias de palestras, conversas, diversão, balada do arco-íris, inspiração e gente incrível.


hoje em dia são 189 cidades ao redor do mundo e o CM (apelido carinhoso que a gente dá pro evento) faz 10 anos este ano. já pensou? você tem uma ideia, faz acontecer, e ela se espalha pro mundo inteiro e completa 10 anos?
eu comecei o CreativeMornings em Porto Alegre, em 2015. fiz o vídeo (um dia mostro pra vocês a vergonha do vídeo haha), preenchi todos os documentos pra pedir a licença, fiz a entrevista e fui aceita. desde que eu comecei a fazer eventos "próprios" (que não eram encomendas de clientes) eu sempre quis colocar as cidades brasileiras no cenário de eventos mundiais. o CM foi mais um deles. e certamente o mais legal.
depois de um ano fazendo o evento em POA, mudei para São Paulo. e aí fui convidada pelo escritório de NYC para tocar o evento em SP. ele já acontecia há bastante tempo, mas era realizado por outras pessoas. aquela plaquinha ali de cima mostra que ele foi o chapter número 24, e começou em 2012! uau!
o tempo passa e aqui se vão 2 anos e meio de CM em São Paulo. a gente tem muita sorte, porque conseguimos o apoio do Bradesco e do Next para rodar o evento, que é totalmente voluntário e sem fins lucrativos. mas mesmo assim, precisa de algum dinheiro pra acontecer, comprar café e aquela coisa toda. se você está lendo este texto e nunca foi a um CM, pense em aparecer! é um evento mágico. só quem participa entende o quanto ele move das pessoas que se envolvem. mesmo.


e o que foi mais incrível neste evento? tipo, top 3?
a Pryia Parker, autora do livro The Art of Gathering. o Seth Godin. e a rainbow party.
sobre a Pryia e o livro, estou fazendo um post só pra falar disso. porque merece muito. sobre o Seth Godin, anotei algumas coisas que ele disse, mas acho que o emocionante mesmo foi ver ele ali em pessoa, haha.
fiquei pensando em um questionamento que ele fez sobre qualquer projeto, ideia, negócio, atividade, whatever que a gente vai fazer na vida. começar perguntando: who is it for? what is it for? pra quem é isto? e pra quê?
será que todas as minhas atividades, projetos e ideias têm essas respostas tão claras? tipo, esse texto, faz um tempão que não escrevo porque eu acho que ninguém vai ler / gostar e que é tudo uma viagem do ego querendo se mostrar, mas é mesmo? o que eu posso fazer pra alguém se beneficiar das coisas que eu faço e vejo, de verdade, que não sejam apenas uma expressão narcisista buscando aprovações da minha parte? esse é meu dilema.
e a festa!
cada cidade tem uma cor. e eles pediram pra gente ir pra festa usando a cor da nossa cidade. e o resultado? um arco-íris! foi muito divertido.

ainda preciso um tempo pra metabolizar toda essa alegria, todo esse aprendizado, toda essa inspiração desse evento. no mês passado, deixei de ser a host do evento em São Paulo, me tornando voluntária junto com a turma e deixando espaço para a Marcela Ponce de Leon assumir esse papel. não sei se já entendi o papel dessa mudança na minha vida, e também não sei se já estão organizados dentro de mim todos os sentimentos sobre ter esse impacto sobre o CM no meu país. começar em uma cidade, inspirar outras pessoas a começarem também, tocar o evento por tanto tempo. é bastante coisa.


acho que vou fazer um post de inspirações pra eventos a partir dessas ideias simples e muito lindas do CM Summit, que acham? ;)
depois eu passei um final de semana na Big Apple, e eu sou apaixonada por NYC de uma forma que me movimenta bastante. eu surto nas ruas, nas lojinhas, nos parques, nos restaurantes. eu frequentemente invento histórias na minha cabeça de que abri um restaurante por lá e eu vivo entre as panelas e os clientes felizes de barriga cheia. ai, que sonho.
The Conference, Malmo
de NYC diretamente para Malmo, na Suécia. foi a vez de realizar um sonho de anos: participar do The Conference.

dois dias, 22 palestras. perdi três por motivos de não acordei porque não dormi porque tive insônia / jetlag. de qualquer forma, foi FODA.
mas antes disso, vamos a alguns comentários sobre coisas que a suécia não é:
- lugar pra você fazer amigos.
- lugar pra você conversar com estranhos.
- lugar pra você gastar dinheiro — tudo é muito caro.
- lugar pra você se sentir carente — como visto nos itens 1 e 2, as pessoas já tem seus amigos, estão bem resolvidas com isso e não falam com estranhos, então já era.
- lugar pra você achar que tá calor olhando as roupas alheias. as pessoas usam camiseta e sapatos abertos com 14 graus e isso não é uma boa opção pra você se você não tem a referência de inverno que eles tem (-40 graus).
- lugar pra você ter crise de autoestima — as pessoas são muito bonitas e arrumadas e chiques e penteadas e cortaram o cabelo ontem. todas elas cortaram o cabelo ontem, juro.
o evento: foi muito bacana. mesmo. tive que me organizar comigo mesma porque eu vim de um evento (CM Summit) em que qualquer coisa que você falasse alguém diria AMAZING!!!!!! e aqui as coisas foram diferentes. as pessoas simplesmente não interagem. fiquei concentrada nas palestras, ligando pra minha mãe de vez em quando pra ver a Flora e falar com algum ser humano. ;)



tem muita coisa inspiradora sobre esse evento, principalmente a curadoria dos palestrantes, a experiência de meditação com VR, e toda a identidade visual dele, que aparecia de várias formas diferentes em cenografia, materiais, etc. são poucos os eventos no Brasil que se apropriam tão bem do seu key visual em todos os pontos de contato e fazem a gente sorrir quando vê as coisas enquanto anda pelo evento. poucos, mesmo.
o tema do evento: Comportamento Humano, Novas Tecnologias e Como fazer as coisas acontecerem. como não amar?
logo menos as palestras vão ao ar, pra quem quiser assistir, eu vou listar as que eu achei imperdíveis pra quem quiser, tá?
Tech Festival, Copenhagen
e eis que a semana termina com mais um evento. eu não sabia que esse evento estaria rolando quando decidi vir. algum algoritmo do Instagram decidiu me mostrar esse evento, de repente por saber que eu estaria aqui perto nessas datas? seria isso possível, Dr. Google?
sofri com as 5h de diferença de um lugar pro outro, meu sono ficou todo atrapalhado e eu não consegui estar em muita coisa desse evento. também acho que cansei de palestras, e como ninguém faz amigos por aqui, não tinha muito o que fazer no evento. mas acabei indo em um dos keynotes, ver algumas palestras bem legais.


esse painel ali em cima era sobre tecnologia e democracia. depois rolaram papos sobre Design as Participation e Brain Food.
essa última foi a mais legal, pra mim. uma neurocientista italiana estudando doenças como Alzheimer e concluindo que interferir na nossa dieta é a melhor forma de prevenir essas doenças no nosso futuro. ela acabou de lançar um livro que eu quero muito ler. se chama Brain Food.

o princípio de tudo é que nosso cérebro se alimenta de uma forma completamente diferente do resto do nosso corpo. e que ele é muito mais seletivo em relação ao que ele aceita ou não como nutriente. e quanto menos nutrientes que ele gosta ele vai recebendo ao longo dos anos, mais propensos a gente fica a doenças no futuro. foda, né? e toda aquela batatinha frita, doces, bolos e coisa e tal? sorry, gente, mas o cérebro não gosta de nada disso.
estou super curiosa pra ler mais sobre o tema, porque alimentação sempre foi meu grande fascínio na vida. enquanto isso, alguns slides dela pra matar a curiosidade por aí também.



"a nossa dieta muda o corpo e o cérebro em termos concretos, ajuda a moldar a forma como pensamos"/ "o cérebro tem um critério diferente do resto do seu corpo" / um rolê rápido entre dietas ocidentais e dietas mediterrâneas e uma comparação do cérebro das pessoas com a mesma idade em diferentes países para mostrar o impacto dessa absorção de nutrientes no cérebro. incrível.

essa foi foda. os nutrientes que o corpo curte x nutrientes que o cérebro curte. e ela terminar a palestra perguntando… e agora, o que vocês vão jantar? :P
ufa. quanta coisa.
espero que esse texto, essas ideias e referências sejam úteis / interessantes. vou escrever mais nos próximos tempos, juro. eu gosto de escrever, mas tem um monstrinho dentro de mim que fica me boicotando e dizendo que não sou jornalista / legal / entendedora de textos com várias vírgulas / suficiente pra isso.
e se tiver algum assunto que vocês acham legal explorar mais, me falem! ❤

se você quiser saber mais sobre o meu trabalho:
e se você quiser me escrever: mariana@altoseventos.com.br
e se você quiser trocar ideias, deixa um comentário aí!
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