Esses cresceres, por mais que nos roubem o encanto -no primeiro caso também a fofura-, não nos rouba de nós. Ser educado nos torna palatáveis, não nos torna menos nós. Sentamos à mesa sem os cotovelos apoiados, mas podemos falar as mesmas coisas, ainda seremos nós, só seremos maiores.
Quando comecei a crescer
Juliana Barreto Tavares
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esse trecho me fez pensar… não sei se o crescer em geral, mas o tornar-se mulher, particularmente, me parece que sim pode nos roubar de nós mesmos. na medida em que poda comportamentos e posturas, em que restringe oportunidades. não falo exatamente do sentar à mesa sem os cotovelos apoiados (nem acho, pessoalmente, que o apoiar ou não de cotovelos é tão essencial à minha identidade), mas talvez do sente-com-as-pernas- fechadas!, do comporte-se-como-uma-mocinha, do não-ria-assim-alto-escandalosa, ou do isso-não-é-coisa-de-menina. tenho pra mim que a existência de [e resistências a] expectativas -externas e internalizadas- do que é ser uma mulher moldou a mulher que eu sou hoje, que não necessariamente seria o resultado de um crescimento orgânico livre da criança que fui.

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