Mãe eu?

Tenho 22 anos e sou conhecida mundialmente por ser um desastre, mas nos últimos meses troquei os biscoitos recheados por integrais e hambúrgueres triplos com bacon por sanduíches feitos em casa de pão integral com recheio frango e legumes. Não importa quanta água eu beba meu xixi ainda sai amarelo e turvo e todo mês escuto a mesma coisa do médico “tem que beber mais água”, mesmo que eu sinta que se beber mais água vou morrer afogada. Vez ou outra como um doce escondido e me encho de culpa com o risco de ter diabetes gestacional — apesar de não acreditar de verdade que isso vá acontecer.

Com 5 meses minha barriga já está redondinha, como de gravida mesmo, não parece mais que andei bebendo muito Chopp barato em promoção. Isso não me faz ter menos vontade de esconder minha barriga, na maioria dos dias uso minhas roupas mais largas que não estão mais tão largas, logo vou parecer a gravida de Taubaté não importa o que eu use. As vezes acordo com coragem extra, coloco aquele vestido que marca bastante a barriga e saio por ai, só para me arrepender quando conhecidos pedem para tocar sentir o bebê.

Tenho 22 anos, sou conhecida por ser irresponsável, então acredito que ninguém se chocou de verdade por eu estar gravida. Engraçado, tentando não fazer o que todo mundo esperava de mim, acabei fazendo exatamente o esperado, consigo facilmente imaginar as pessoas falando “Mariana? Mas claro que ela ia acabar gravida antes da hora”.

Apesar de que pelo o que ando ouvindo não tem hora certa pra ficar gravida. Quer dizer, existe a idade certa, 28 à 35 anos, se fica gravida antes disso é muito cedo, se fica depois é muito tarde. Então me vejo presa na metade do caminho. 22 anos não são 17, mas também não são 30. Não sou mais a adolescente que chorava escutando Simple Plan, mas também ainda não sou a mulher que investiram em mim para ser. Ainda não me formei, até pouco tempo gastava todo meu dinheiro em festa e comida congelada com coca-cola.

Minha meta de vida não ia muito longe de onde me encontrava. Ter um trabalho meia boca, ganhar o suficiente pra gastar comigo, sair, talvez um namorado. Vez o outra eu inventava esses sonhos extravagantes de ir pra São Paulo, ser roteirista ou talvez atriz global, ser descoberta por algum talento que sei lá qual. Mas nunca quis isso de verdade, só precisava de algum sonho já que todo mundo tinha algum, ninguém quer ser a garota que não quer nada da vida não é mesmo? Mas agora tenho que ser uma pessoa melhor de verdade, afinal, vou ter um filho. Chega de desculpas.

Só queria enrolar mais um pouquinho antes de parar de reclamar e fazer alguma coisa de verdade pra melhorar.

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