A educação no Brasil pede socorro

Em muitos filmes produzidos por Hollywood, vemos a importância de se ter um mestre. A narrativa passa por vários fases até que o jovem entenda qual a abordagem de ensino instrutor e, assim, eles conseguem alcançar o objetivo inicial e a vida daquelas pessoas vão mudar para sempre, tanto de quem aprende quanto de quem ensina. Isso acontece através de uma técnica que foge do ensino normal, vem das técnicas que o mestre usa para instigar o aprendiz a se interessar pelo assunto e se esforçar cada vez mais. Diversos programas de televisão levam professores para auditórios, onde eles fazem depoimentos dizendo que aprendem muito mais do que ensinam. Esta é uma realidade distante para muitos no Brasil, tanto para educadores quanto para aprendizes. A precariedade mata a curiosidade e a vontade de aprender, os professores estão adoecendo e ficando cada vez mais desmotivados.

A experiência escolar no Brasil não tem nada de bela. A educação não é prioridade no país, afinal de contas o governo federal tem feito cortes nos investimentos destinados à educação, constantemente. Essa não é uma história recente, os professores nunca foram muito valorizados na história do Brasil, basta analisar números para vermos os baixos salários que eles costumam receber. Além disso, poucos são os que conseguem bancar cursos de reciclagem, por conta própria. Partindo desta realidade, é possível perceber o motivo de que melhores estudantes do país terem desempenho apenas mediano no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), resultado divulgado em 2016 pela Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo analisou o desempenho de estudantes de 15 anos de 70 países nas áreas de Ciências, Matemática e Leitura. Se nem a elite educacional brasileira é capaz de atingir o mesmo patamar de países mais desenvolvidos, quem dirá o pobre que tem uma formação básica deficitária.

A base, como o próprio nome diz, é fundamental para que seja alcançada uma boa formação no futuro. Porém, pode-se analisar por resultados divulgados em várias pesquisas, tanto nacionais quanto internacionais, que o investimento na educação básica está muito aquém do que deveria. A culpa não pode ser colocada nos professores e muito menos nos alunos, a falha é de todo o sistema educacional. Vivemos em um país que não investe em ciência e tecnologia e preocupa-se apenas em exportar commodities. Esta é uma mentalidade que não vai mudar tão cedo, os avanços são escassos e os retrocessos são muitos.

Se alguém pergunta em uma sala de aula “quem quer ser professor?”, é possível que ninguém responda que deseja seguir a profissão de ensinar os outros. É um reflexo de ser uma profissão extremamente desvalorizada e desmotivada. Logicamente que existem casos que divergem da totalidade, professores geniais que conseguem instigar alunos a aprender mais e mais, mas eles são poucos num universo de apatia. As condições de trabalho de muitos professores chega a ser precária, muito sofrem de depressão e outras doenças relacionadas à rotina estressante. Muitos precisam trabalhar em várias escolas ao mesmo tempo para poder pagar as contas no fim do mês, é impossível imaginar um profissional desses investindo em cursos de formação quando ele mal tem dinheiro para sustentar a família.

O sistema tem que ser modificado, mudar toda a lógica, aumentar salários, investir na educação básica, proporcionar especializações para todos os educadores, incentivar e dar melhores condições de trabalho para esses profissionais. Só assim o Brasil começaria a mudar, a realidade começaria a tomar uma outra forma. É difícil esperar uma guinada desse tipo, quando não investimos na preparação desses professores para lidar com as adversidades da profissão, para se reinventar a todo momento e se dedicar a melhorar cada vez mais para proporcionar uma boa experiência ao aluno.

As crianças de hoje não são as mesmas de 20 anos atrás, não é possível usar o mesmo tipo de didática que era usado naquela época para fazer com que elas se interessem pelo que é dito em sala de aula. E mesmo no final do século passado, muito do que era utilizado como estratégia para ensinar já não fazia mais sentido. Essa não é culpa do profissional da educação, é culpa de um sistema maior. Aliás, o professor no Brasil é um herói, ele enfrenta as adversidades para continuar ensinando. Vemos muitas histórias de educadores que tiram dinheiro do próprio bolso para bancar materiais escolares que deveriam vir do estado. Só mesmo alguém muito apaixonado pelo ofício para conseguir se manter firme nessa jornada. Isso tudo não deveria ser assim. Se existisse seriedade na hora de investir em educação, é possível que aquela ideia inicial exposta sobre os mestres que aparecem nos filmes fosse mais recorrente, é provável que mais gente começasse a se interessar por ser a pessoa que ensina e que os profissionais fossem, de fato, respeitados.

Deveríamos seguir exemplos de educação de outros países mais bem sucedidos, mas estariam nossos governantes preparados para enfrentar uma massa pensante? Talvez seja aí que more nosso maior problema.

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