Sobre um Príncipe

Eu sou amante da História do Brasil. Quando soube que os restos mortais do nosso primeiro imperador e suas duas imperatrizes foram exumados, corri para saber tudo sobre o assunto na internet. E hoje, acabei de ler o livro de uma pessoa que pode acompanhar de perto um pouco desta experiência. Esta obra começa exatamente no ponto de confirmação que “o Pedrão é nosso”, e está localizado no bairro paulistano do Ipiranga. Por inteiro, é um grato registro da nossa história e de um homem que deveria ocupar as memórias brasileiras de forma mais inteligente. Leitura cheia de cartas que corroboram os fatos e remontam as cenas. Até os documentos supostamente forjados possuem explicações para terem caído em dúvida por parte do autor. Enrolei para ler, pois não queria que acabasse, agora que finalizei, quero voltar ao início. D Pedro é tão cheio de vida que, apesar de já ter morrido há 181 anos, figura mais vivo do que nunca. É um personagem absolutamente imortal, mais pela maneira como passou pela vida do que por ter declarado a nossa Independência. Pedro de Alcântara foi um ser de muita intensidade, acometido por diversos sentimentos e levado por todos. Como um furacão viveu como quis, defendeu o que acreditou e morreu precocemente com apenas 36 anos de idade. Um personagem histórico ativo em vários sentidos e com certeza longe de ser fantasiado como um Pasquim ou aquele abandonado pela onda republicana. De verdade, quando cheguei à última página, quis jogar fora minha minissérie “O Quinto dos Infernos”, de tão mais interessante que é conhecer a face do Imperador baseada nas pesquisas de Paulo Rezzutti. O leitor vai se identificar com o príncipe herdeiro que viveu no século XIX, pois apesar de ser um membro da família real, possui um comportamento bastante humano. É uma pessoa à frente do seu tempo na minha humilde opinião, que não mediu esforços para realizar tudo que acreditasse ser o melhor em prol do cumprimento de ser dever como político e monarca. Mesmo que algumas vezes agisse muito impulsivamente e provocasse desastres. E como pai, esgotou suas forças para garantir nome, educação, trono e herança a todos os filhos que pudesse, da melhor maneira que conseguisse. Apoiava o fim da escravidão, não poupava opiniões e sentia-se obrigado a cumprir seus deveres: o povo precisava ser honrado. Lamentava sua pouca educação e exigia que os filhos se aperfeiçoassem, pois não podiam contar com a sorte. A importância do primeiro imperador não se deve apenas à questão da independência. E de forma prática e simples, Paulo Rezzutti explica as questões políticas que rondavam desde antes da chegada da família real até a morte do Duque de Bragança, que ainda poderia retornar ao Brasil como regente até à maioridade de seu filho Pedro II. Um personagem contraditório, liberal e autoritário, que amou mulheres de modo tão peculiar que é até difícil afirmar que teve apenas um amor. Não espere um boêmio mulherengo e marionete da Marquesa de Santos. Muito menos uma Leopoldina passiva, depressiva e ignorante. Esqueça o quadro do Pedro Américo representando o dia da nossa Independência. Inteirar-me dos nossos personagens históricos que tiveram participação ativa na formação do nosso país foi a maneira mais simples de entender o que somos hoje e de que maneira chegamos até aqui.
Paulo, obrigada pelo altruísmo, por atiçar sua curiosidade resultando na construção deste trabalho e, apesar do preconceito da academia, obrigada por ser mais um simples brasileiro que contribuiu por amor e não por títulos.

“A história é uma ciência humana. Isso quer dizer que ela tem uma certa relatividade dependendo muito da visão do historiador. A história tem uma lógica, tem normas, tem um processo, portanto tem uma objetividade.” (Bóris Fausto)

“A História é vital para a formação da cidadania porque nos mostra que para compreender o que está acontecendo no presente é preciso entender quais foram os caminhos percorridos pela sociedade. ” (Boris Fausto)

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