30 de agosto (II)

deus me livre de me tornar esta pessoa, mas não dá pra saber: odeio quem comenta cada descoberta minha com aquele tom de sabedoria, de vivência, “isso não é nada, você vai ver mais pra frente”.

a gente passa a vida ouvindo isso dos pais, e odeia isso neles, aí chega uma fase na sua vida em que alguém, por algum motivo, pensa que sabe mais da sua experiência do que você mesmo, e solta o “isso não é nada”.

eu sei que o zumbidinho das primeiras vezes em que senti o bebê mexer não é the ultimate experience, mas é a primeira vez que eu estou sentindo isso e é especial. eu sempre quis ficar grávida e sei como é uma barriga no começo, no meio e no fim de uma gestação, mas é a primeira vez que o meu corpo se transforma assim, e isso é importante para mim.

“olha minha barriga, tá IMENSA” “ah, espera mais umas semanas pra você ver”

“meudeus, ele não para de mexer, dá até pra VER” “ih, no final que mexe mesmo, dá pra ver até o pezinho”

não seja essa pessoa.

obrigada.

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