Achada e Perdida

Ultimamente tenho me sentido como um personagem de Lost, (ou até mesmo um espectador) sem saber em que universo paralelo eu tô, ou se eu tô.

Durante esses 24 fucking anos, foram algumas milhões de tentativas em me encontrar, sozinha ou em alguém. Todas elas frustadas.

Muitas delas eu achei que pudesse ter acertado. Nele, que me fez sentir a plenitude de um amor e ao mesmo tempo me arrancou toda (ou quase toda) a coragem em acreditar em alguém. Naquele músico matuto e de voz serena, que me tocou como se tocasse uma sinfonia em seu violino e me fez cantalorar notas de desejo. Ou em você, que ontem, me despiu de corpo e alma, me decifrou, e me fez de sua moça ao som de Céu.

Todos esses “quases” me fizeram chegar ao clímax de euforia, loucura, adrenalina e a espera de que eu finalmente pudesse ter me encontrado.

mas no final, todos me deixaram da mesma forma: encolhida no chão do banheiro aos prantos, revirando e revendo cada segundo daqueles momentos e tentando achar uma possível falha ou explicação pra que tudo desse errado. De novo, e de novo, e de novo.

Talvez eu deva começar a me conformar que o meu corpo e a minha sensualidade sejam o que eles querem. O meu empoderamento, a minha segurança sexual e o minha total entrega ao prazer seja o chamariz pra isso tudo.

Vocês não conseguem me ver além disso e eu não me permito ser menos disso tudo que eu sou. E agora, José?

Enquanto isso acontece, o mundo gira e o golpe prossegue. E continua também o vazio aqui dentro, a não vontade de querer me encontrar mais, a perda da coragem em tentar de novo, falta de entusiasmo de que tudo vai mudar e a eterna preguiça em me reerguer.

Mas hoje é domingo, e talvez amanhã, ao acordar, o meu café venha com uma dose de esperança e de fé.