Nessas madrugadas, das quais só os insones entendem, me peguei ouvindo uma música que descreve com detalhes a dor de deixar ir... Send my love é quase um grito de desabafo…
Não é de hoje que vivemos em um mundo de relacionamentos pouco duradouros, mas isso a princípio, não remete ao caso. A corda enrolada firmemente à mão esfola, adormece e sangra em um ímpeto de se manter atada. Essa não deveria ser a representação de algo saudável, mas tudo bem, porque de perto nada é realmente o que parecia ser.
Prender-se e tolerar a dor para manter algo em seu devido lugar é algo louvável. Ver a dor se transformar em estabilidade e, por vezes, em felicidade é que começa a se tornar um tanto quanto patológico.
Lá estava ele, ou o que você acreditava que ele era, com suas inúmeras qualidades e com seus defeitos, os quais você fingia não enxergar. No começo eram duas mãos a segurar a corda e a carga era leve. Um arranhão aqui, outro acolá, mas as feridas cicatrizavam rápido.
Até que em um belo dia de outono, o fardo fica mais pesado, você passa a sentir cada gomo da corda entrelaçada rasgando a pele. Alguém havia desistido de segurar as pontas com você.
No começo sempre se procura um motivo. Afinal, por qual razão alguém desistiria de algo que parecia ser tão precioso? Junto vem a culpa… Sua, dele ou seria ela compartilhada? Sem perceber você se encontra agarrada com toda paixão à aquilo que te trazia felicidade. Tentando curar as feridas, percebe que só somos capazes de cuidar de quem se deixa ser cuidado. Sim, frustante, eu sei!
Soltar a corda parece ser a decisão mais acertada, mas como é difícil! E é sobre essa libertação toda que eu continuo pensando … Sobre ser altruísta o suficiente para desejar o famoso “Send my love to your new lover” ou ser perseverante o suficiente para esperar que a outra mão se dê conta de que não conseguiria sobreviver sem ter essa corda entrelaçada em seus dedos.
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