experiências, inspiração e transformação

Mariana Franzoi
Sep 3, 2018 · 6 min read

O Black Sheep Project busca, por meio de inovações criativas, transformar o nosso dia-a-dia. Nesse final de semana, 1 e 2 de setembro, aconteceu o BS Festival pelo bairro Floresta, em Porto Alegre. Foram 120 palestras e workshops abordando temáticas como criatividade, tecnologia, empreendedorismo, educação e muito mais.

Desde a oitava série digo que estudaria na Famecos e hoje, sempre que fico matando tempo pelo saguão da faculdade, penso o quão grata eu sou pela oportunidade de estudar e fazer o que eu amo ao lado de pessoas incríveis. Olhar para o colega e ter a certeza de que ele(a) irá brilhar muito ainda no mercado é inspirador. E foi assim que eu me senti durante o dia que compareci ao festival. No meio de uma palestra sobre a Geração Netflix, com o Franz Figueroa, decidi escrever aqui 10 coisas que vi/descobri/pensei durante o BS Festival.

Conheça gente. Seja simpático.

O credenciamento aconteceu às 8h da manhã. O ingresso era caro e era um sábado. Você está onde está porque ama isso. Coloque um sorriso no rosto e se permita conhecer pessoas novas. Não importa quem.

No início do dia fiquei ansiosa por ter companhia em algumas palestras, confesso. Mas um palestrante — que não me recordo o nome — disse, ao ser questionado sobre como podemos inovar sem usar tecnologia, que nós precisamos arriscar mais. E isso inclui encarar um monte de gente sozinho de vez em quando. Tá tudo bem. Sério.

Depois disso, eu e minha amiga nos separamos. Eu me perdi. Tomei banho de chuva. Entrei na palestra errada. Corri pra uma van. Fui parar na Fábrica do Futuro — um lugar que eu não fazia ideia da existência e agora quero muito voltar — e falei com gente extremamente inspiradora. E eu nem sei quem eram.

Todo mundo tem algo para te mostrar.

Digo isso desde o terceiro ano do ensino médio, quando uma professora de inglês insistia que lêssemos O Pequeno Príncipe em todas as aulas. Meus colegas, em certo ponto do trimestre, começaram a questionar o propósito dela. Eu sempre me metia dizendo que nós precisávamos tirar pelo menos um aprendizado daquilo tudo. E sigo fazendo isso em todos os setores da minha vida.

Palestras nem tão interessantes, ou um tanto quanto confusas, podem sim te fazer descobrir alguma coisa nova. Entrei em três painéis um pouco receosa sobre o que estariam falando, mas em nenhum deles eu sai sem ter somado algo para o meu repertório. É isso o que realmente importa.

Se perca — dos amigos, das palestras e de você.

Esse item pouco tem a ver com um festival sobre criatividade. Mas pode ter tudo a ver também.

O penúltimo painel que assisti, no Hub Senac, era sobre Burning Man. Eu, que nunca tinha ouvido falar sobre isso, quando vi no cronograma pensei ser sobre alguma espécie de lifestyle minimalista. Entrei no aquário e Juan Pablo, que vestia uma camiseta questionando se estávamos preparados para uma experiência completamente nova, começou a contar sobre esse festival insano que acontece durante dez dias.

Uma das poucas regras no Burning Man é que você deve experimentar. Se permitir vivenciar coisas que jamais faria. Respeitando ao próximo, você é livre para descobrir um mundo completamente novo e abandonar tudo aquilo que você um dia pensou ser. É sobre isso o que eu estou falando.

Se perca de você, dos seus preconceitos e de tudo o que você sabe. Assuma que há muito ainda para descobrir e vá em busca do que você nunca viu. Descubra uma nova maneira de ver, contar e ouvir uma história.

As mulheres vão dominar o mundo

Presenciei dois painéis comandados por quatro pessoas, onde três delas eram mulheres. Na hora, lembrei do Festival do Clube de Criação de São Paulo de 2017. A temática? Diversidade. Os painéis? Homens brancos contando sobre como é importante falar sobre diversidade. Ok, tinha mulher apresentando painel também: aqueles que falavam especificamente sobre mulheres na comunicação.

O brilho do olho daquelas mulheres falando sobre um assunto que sabem pra caralho foi o que fixou o meu sorriso no rosto durante horas. Inovação é sobre pessoas e nós somos as pessoas pelas quais nós estamos mudando. Falaram por aí que o BS Festival é um dos maiores e mais inusitados festivais sobre a temática no Brasil. Verdade. Inusitado demais perceber que, em um meio machista como o da comunicação, as mulheres conquistaram voz e poder suficientes para liderar espaços extremamente importantes para o nosso mercado.

Na criação publicitária ainda somos minoria. Mas são atitudes como a More Grls que me fazem ter confiança para afirmar que isso não será mais realidade.

A Era da Experiência

Nós estamos tão acostumados com aquele modelo de evento em que existe um palestrante e várias pessoas quietas ouvindo tudo, que fica fácil questionar o valor de um evento que assume ser inovador.

Nós não estávamos em auditórios. Muito menos nos mesmos lugares. O bairro Floresta recebeu 9 Hubs do BS Festival e nós percorremos, a pé, 99 Pop ou van, pelas ruas e descobrimos coisas que jamais descobriríamos sentados em mais uma sala de aula. Quando percebi, estava em um estúdio de dança, espaço que sempre amei, ouvindo uma jornalista falar sobre influenciadores.

Franz Figueroa contou como podemos criar uma experiência memorável e eu acredito que o Black Sheep acertou completamente.

Meus colegas estavam certos por questionar o que veriam por lá. Nós não queremos mais meros serviços sendo oferecidos. Buscamos boas experiências constantemente. É nisso em que nós precisamos manter o foco.

Você vai errar. E tá tudo bem.

Para inovar, nós precisamos nos permitir falhar. Só teremos transformado algo de fato se nós sentirmos isso em nós. Se foi simples, sem mudança interna, então nós não estamos inovando.

A sensação de estar inovando é ótima. Mas de nada vale se não for de verdade. Errar fazendo o que você acredita ser o certo só vai te dar mais forças para continuar tentando. Escolha onde você vai impactar e entregue o seu tempo na mão do fracasso. Não há inovação se antes não houver a abertura para o erro.

Errar e continuar tentando é o maior acerto da sua vida.

Ninguém vai salvar a sua vida.

Entrei em uma palestra no ápice da empolgação. Quando circulei o local no mapa, pensei o quanto somaria para a nova fase da minha vida. Da lista de coisas que você pode falar sobre uma palestra e também na hora do sexo, aqui vai: sentei e me decepcionei.

Agora sem mais analogias com sexo, digo que tudo bem. Ninguém pode garantir as respostas para as minhas dúvidas, mas com certeza pode gerar mais questionamentos.

Erro meu esperar inovar sem antes me questionar sobre tudo aquilo que eu já sabia. Erro maior ainda acreditar que alguém diria por onde começar.

Se quero que alguma coisa aconteça, quem precisa se levantar e fazer algo sobre isso, sou eu. E isso eu entendi quando me levantei e fui procurar um lanche barato pelo Shopping Total.

Não há tempo para ficar parado.

Com prazo de validade de 24 horas, muitas das coisas que nós acreditamos nascem e morrem todos os dias. Vai lá e faz é conceito de comercial de marca de esporte mas é a mais pura verdade na Era Digital.

Esperei por muito tempo ter o assunto perfeito para escrever aqui no Medium. Assim como esperei por muito tempo que alguém acreditasse no meu trabalho. Se você não fizer e não acreditar no que está fazendo, nada vai acontecer.

Descubra o que você ama e trabalhe com isso.

Me senti Alice de novo quando me peguei imaginando se um dia eu daria uma palestra que fizesse o coração de estagiários(as) queimar dentro do peito. Como disse no início desse texto, sempre quis ser famequiana. Hoje carrego comigo a gratidão por poder fazer parte disso.

Conversei com um ex colega do colégio dia desses e concordamos: não existe nada melhor do que fazer o que se ama. Ele sai das aulas de administração e fica mais algumas horas estudando em casa. Eu acordo cedo nos finais de semana para consumir mais conteúdos que envolvem a comunicação. A motivação mora no peito e é isso o que nos faz querer ainda mais.

Ainda temos muito o que mudar. Comece por você.

Comunicação é uma das minhas maiores paixões. Com ela, a escrita. Descobri esse combo maravilhoso e desde então tenho feito de tudo para transformar a minha vida com isso.

A publicidade apareceu na minha vida como uma ferramenta para causar a mudança que eu acredito ser importante para o mundo. Corri de painel em painel o dia inteiro buscando respostas, novos olhares e construindo histórias. Queria saber o que aquela galera descolada tinha para me contar sobre o que eles fazem como comunicadores e me surpreendi quando entrei no Hub RBS pela última vez durante o BS Festival.

Me perguntaram o que eu faço por Porto Alegre. Não soube responder.

Vivemos com essa vontade de ver o novo o tempo todo e esquecemos de refletir sobre o que nós fazemos para causar o novo. Essa foi a maior lição que levei desse dia insano que passei correndo pelo bairro Floresta.

E você, o que está fazendo pela mudança que você espera viver?

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