SOBRE FEMINISMO, LIBERDADE E O BOTICÁRIO

2015 foi o ano das mulheres na mídia! Movimentos contra a proibição do aborto, a campanha “Vamos Juntas”, a #meuamigosecreto e muitos outros acontecimentos que todos nós vivenciamos são prova disso.

Eu, como feminista assumida, senti a necessidade de colocar aqui alguns pontos que sempre têm que ser explicado quando esse é o tema de alguma conversa, além de refletir mais a fundo sobre o assunto e também expressar minha opinião sobre o tão falado comercial do O Boticário, que foi parar no Conar e dividiu opiniões: para uns é feminista e para outros é machista.

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Antes de mais nada acho importante esclarecer o que muitos já deveriam saber, mas ainda não é tão claro:

Feminismo não é o oposto de machismo. É a busca pela igualdade de oportunidades e respeito. É só isso! E mesmo sendo tão simples é absurdamente complicado de alcançar. Mas fico cada dia mais feliz ao ver que mulheres e homens estão entendendo e se identificando com o movimento.

Mas o que significa buscar a igualdade?

Além de mesmas oportunidades de trabalho, igualdade salarial, igualdade no poder e tantos outros exemplos que ouvimos diariamente, quero focar na liberdade. Que a mulher deve ter a mesma liberdade que tem o homem, de fazer o que quiser, vestir-se como quiser e ser quiser sem precisar ouvir frases como “você não deveria fazer isso”, “você não pode se vestir dessa forma”, “nenhum homem vai gostar de você desse jeito”, e vários outros termos e frases que repreendem.

Em exemplos:
– Se a mulher quer ser magra, usar roupa curta, abusar no decote e fazer uma maquiagem chamativa, ela tem a liberdade sem que a chamem de puta. Afinal, puta é quem troca sexo por dinheiro, e não necessariamente quem se veste exibindo mais partes de seu corpo;

– Se a mulher quiser viver sem a culpa de comer e aceitar uns quilos a mais em seu corpo — sem prejudicar sua saúde — e ainda assim usar uma saia ou vestido, ela tem todo o direito! Não importa se a mãe ou a tia dirão que “assim ela não vai encontrar marido”, afinal nunca vi dizerem isso para homens com barriga de cerveja ou até mesmo bem acima do peso;

– A mulher ter toda a liberdade para tomar decisões de sua própria vida! Se ela não quer casar, acreditem, ela não está falando isso para contrariar a família, ninguém é burro a esse ponto, de colocar a própria felicidade em jogo por conta de orgulho. Uma pessoa, seja homem ou mulher, tem todo o direito de escolher se é mais feliz morando sozinha, com esposa/marido, com namorado, com amigos, ou de qualquer outro jeito que quiser;

– Ainda sobre decisões para a própria vida podemos incluir: ter filhos ou não, ter animais ou não, vestir-se de acordo com o padrão ou seguindo seu próprio estilo, trabalhar em mercado feminino ou masculino, ter relacionamento aberto ou fechado e por aí vai…

Seguindo essa linha da mulher fazer o que ela própria entende ser melhor para si, temos o polêmico comercial do O Boticário.

Toda mulher sabe o potencial que a maquiagem tem, geralmente chama mais atenção para nossas qualidades, fazendo com que sejamos mais reparadas. Muitas adoram essa sensação e se sentem bem, pois impacta positivamente em sua auto-estima, porém outras preferem passar despercebidas. E não há nada de errado nisso, é uma escolha de cada uma.

O comercial da Boticário nos mostra exatamente isso. Que uma mulher produzida chama a atenção, naturalmente. Atrai olhares, faz com que se sinta mais confiante e que os outros também reparem mais.

Os que não gostaram do comercial e o julgam machista, entendem que a mensagem passada é que a mulher deve estar sempre linda e maquiada para o casamento não cair em pedaços. Que se elas tivessem cuidado mais de sua beleza durante o casamento, o divórcio não aconteceria.

Para mim o comercial tem um sentido oposto. Que os homens — como maioria tá? não estou falando de todos — não sabem valorizar a mulher como ela é, que colocam todas as fichas na beleza e quando ela trabalha, cuida de filhos, da casa e de muitas outras coisas deixando os próprios cuidados — superficialidade se comparado às outras tarefas — de lado, ela deixa de ser a mulher que ele deseja. E quando eles as veem lindas e radiantes, é como se lembrassem da pessoa incrível que ela sempre foi. E por eles não saberem ver isso, ficam chocados.

Mas essa é só minha opinião.

Sobre a mulher se arrumar para o marido, eu não vejo problema algum. Considerando que são um casal e que ela sabe que ele o ama por muitos outros motivos, por que não “retribuir” estando arrumada sempre que possível e utilizar roupas que ele também gosta? Afinal, num relacionamento real a mulher sabe que no dia que quiser ficar em casa de pijama e cabelo desarrumado o amor e sua intensidade serão os mesmos.

E qual a sua opinião?!

Original em meu blog.