Crowdfunding, você conhece essa modalidade de captação de recursos?

Nas últimas semanas a Internet ficou recheada de notícias relacionadas ao Crowdfunding envolvendo um financiamento para uma hamburgueria. Diferente de muitos artigos, minha intenção não é opinar sobre a polêmica que aconteceu no Brasil, mas aproveitar a oportunidade em que esse assunto está “em alta” para divulgar e esclarecer sobre como essa modalidade de captação de recursos pode ser utilizada para tirar projetos do papel, principalmente para o Terceiro Setor.

Depois de sete anos trabalhando direta e indiretamente com orientações ao Terceiro Setor, ainda percebo uma grande dificuldade que as Instituições possuem em entender que organizações não governamentais precisam ter um planejamento, prever sua sustentabilidade e formas de captar recursos como outra empresa qualquer. Apesar de muitas ONGs não possuírem fins lucrativos e ofertarem serviços gratuitos, existem despesas com profissionais, aluguel de sede e necessidade de recursos para executar as ações planejadas.

Existem várias formas de captar recursos para executar projetos ou até ampliar e qualificar os serviços já prestados. A internet é uma excelente aliada na hora de buscar informações e alternativas para financiamento e divulgação dessas ONGs. Um dos modelos que vem crescendo aqui no Brasil é o chamado Crowdfunding, ou Financiamento Coletivo. É sobre ele que fiz um compilado de informações e estruturei dicas para repassar aqui:

O QUE É CROWDFUNDING?

“Um grande valor rateado por milhares torna-se pouco para quem contribui, e muito para quem recebe.”

Esse é o principio básico do Financiamento Coletivo — Crowdfunding, que consiste em obter recursos para iniciativas de interesse coletivo através da soma de investimentos relativamente baixos de várias pessoas, que estão interessadas na ideia ou causa a ponto de bancar uma parte dela podendo, ou não, receber uma recompensa em troca. É usual que seja estipulada uma meta de arrecadação que deve ser atingida para que o projeto seja viabilizado. Caso os recursos arrecadados sejam inferiores à meta, o projeto não é financiado e o montante arrecadado volta para os doadores.

QUAIS AS VANTAGENS DO CROWDFUNDING?

Existem sites de financiamento coletivo apresentando as causas, propostas e projetos que tem a intenção de solicitar o financiamento. O alcance dessas plataformas é muito grande, milhares e alguns até milhões de pessoas, possibilitando assim, que usuários da internet de qualquer parte do mundo façam sua doação caso se identifique com a causa apresentada. Considerando que, as taxas de empréstimo são absurdas, vale lembrar que o custo de utilizar uma plataforma de financiamento é muito baixo e possui pouquíssimo risco. Em grande parte das plataformas, o “empreendedor” pagará uma porcentagem do valor total, uma vez que, o valor completo for arrecadado.

QUAIS AS DESVANTAGENS DO CROWDFUNDING?

Particularmente eu não considero desvantagens, mas cuidados e noções que o “empreendedor” precisa ter ao optar pelo Financiamento Coletivo.

Essa modalidade geralmente serve para iniciar projetos, ações pontuais ou lançamentos e servirá como uma alavanca, um incentivo, não com o objetivo de manter e sustentar o projeto em longo prazo, até porque, para isso existem outras formas de captar recursos. Outra consideração importantíssima é que, o projeto será amplamente divulgado, desde as propostas, linha de raciocínio até o design dos materiais. Se o projeto não estiver bem estruturado, da forma mais clara possível, isso pode causar grandes problemas.

Imagine que o “bom projeto” será conhecido por “todos”… se o projeto estiver ruim ou mal estruturado, ele também será conhecido, porém, de forma negativa. Pode ser rápido e indolor ou rápido e imensamente dolorido!! Cuide com a comunicação, sua intenção precisa estar totalmente alinhada com a forma de comunicar. Uma ideia para amenizar esse risco pode ser uma divulgação em menor escala para apresentar a proposta inicial e pedir feedbacks.

QUE CAUSAS PODEM PEDIR APOIO NO CROWDFUNDING?

A existência de legislação especifica sobre o tema ainda é bastante restrita, mas existem seguimentos diferentes de acordo com o objetivo do projeto, por exemplo: financiamento para projetos sociais, para produtos ou serviços, abertura de novas empresas, financiamento de projetos pessoais, etc. Em geral, artistas, jornalismo cidadão, pequenos negócios, start-ups, campanhas políticas, iniciativas de software livre, Organizações do Terceiro Setor, ajuda às áreas atingidas por desastres entre outros. No Brasil, os mais comuns e bem sucedidos estão na área social, filantrópica e de produtos e serviços.

COMO ELABORAR UM PROJETO DE CROWDFUNDING?

Planejamento é fundamental!! Não adianta esperar milagre se seu projeto não estiver bem fundamentado e transparente. Deixe claro qual é a causa ou ideia que você e sua equipe estão defendendo. Deverão ser respondidas perguntas como: Quem é a instituição/pessoa que está lançando a proposta? O que é? Por que estão fazendo isso? Como vai funcionar? Quando? Onde? Valor? Quem será beneficiado? E a pergunta mais importante: por que alguém deve investir no seu projeto?

Vale ressaltar que justamente pela ampla divulgação, seu projeto poderá ser copiado por outras instituições, então, caso seja algo patenteável, registre e proteja sua ideia.

Nem todas as modalidades exigem que seja dada uma recompensa para o doador, mas aqui vale o exercício da empatia. Se você fosse doar para um projeto, seria muito legal receber algo em troca, não acha? Nem que seja um “obrigado” de forma simples o objetivo é demostrar a gratidão por ter sido ajudado por alguém que mesmo sem te conhecer resolveu ajudar por acreditar na mesma causa ou ideia que você.

QUAIS AS RECOMPENSAS PODEM SER OFERECIDAS EM TROCA PARA OS DOADORES?

Os exemplos de recompensas que são dadas aos doadores varia de acordo com a modalidade do projeto apoiado, mas podem ser “brindes” como: CD´s, camisetas, canecas, ingressos para algum evento que esteja vinculado à causa ou ingressos da inauguração do projeto, materiais como revistas, livros seja de terceiros ou produzidos pela própria instituição que está recebendo a doação. Enfim, eles variam de simples chaveiros e cartões até experiências maiores como ter a primeira versão de um produto inovador que está sendo lançado na campanha, de acordo com o valor doado. Seja criativo, mas não esqueça de calcular os custos dos “brindes” para não gastar a maior parte dos valores arrecadados com as recompensas para os doadores.

QUAIS AS PLATAFORMAS DE FINANCIAMENTO EXISTENTES?

Você deve escolher uma plataforma que se identifique com sua causa ou ideia Estude os custos de cada uma e o público a quem ela comunica para potencializar sua arrecadação. Vou deixar aqui uma lista com as mais conhecidas:

http://juntos.com.vc/pt/projects

http://www.bicharia.com.br/

http://www.idea.me/

https://alavancasocial.com.br/tag/impulso/

https://benfeitoria.com/

https://www.catarse.me/

https://www.indiegogo.com/#/picks_for_you

https://www.kickante.com.br/

https://www.vakinha.com.br/

Gostou? Então compartilhe essas informações com pessoas e instituições que possuem projetos para tirar do papel. Se você conhece outras plataformas de financiamento coletivo que não foi citada aqui, pode deixar no comentário que incluo no artigo.

Abraço,

Mariana Jacques

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