A flor do mundo.

Morrer e continuar a viver é o pior castigo;
Morrer e continuar a se fantasiar de vivo
Morrer e continuar a desejar bom dia 
Morrer e ter que atravessar a Paulista
Morrer e preparar o jantar da família
Morrer e continuar com a TV ligada
Quem sabe a transmissão 
Soe um pouco de vida ?
Morrer e ter que contar o dinheiro
Morrer e lembrar que ainda é janeiro
Quem nunca já morreu assim?
Morrer e se convencer que algo ainda está vivo
No espelho que te encara pela manhã
Resistindo ao enterro de tudo
Cavando a poesia do fundo do mundo
Ver uma flor nascer depois disso tudo.

(Mariana de Almeida).

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