Tire o padrão do corpo das meninas
Ou quando essa foto virou reflexão

Essa da foto sou eu.
Depois que tirei essa foto pensei em fazer uma série como essa com outras meninas, para depois publicar no meu blog a série de fotos mais um texto. O texto não seria sobre as fotos ou questões do corpo da mulher, era apenas pela estética.
Eu não vivo em uma bolha e sei que a relação das mulheres com os seus corpos é, no geral, atribulada. Não aceitação, baixa autoestima, querer estar em um padrão (impossível) determinado pelas mais diversas referências etc. Porém, fiquei surpresa em receber sete nãos de sete amigas a quem propus fazer essa foto.
Eu quase nunca tive problemas com meu corpo. Claro, já quis emagrecer, já quis que meu nariz fosse diferente, já tive problemas com espinhas, várias coisinhas. Mas, no geral, hoje eu gosto muito dele, eu acho meu corpo verdadeiramente bonito. Pra mim, essa era a regra: as pessoas mudariam algumas coisas se pudessem, mas gostavam do próprio corpo. (E estou falando aqui das pessoas que não têm, aparentemente, obsessões, grandes problemas com autoestima baixa ou não aceitação. Que não sofrem bullying externo por não estarem no padrão. Mas que, psicologicamente, cada um sabe de si.)
Por isso fiquei surpresa! Eu sei que existem vários movimentos para conscientizar e estimular as mulheres a aceitarem e acolherem a si mesmas. Mas, como não era a minha realidade, eu não tinha dimensão dessa opressão até me deparar com as respostas das minhas amigas. Até ver que meninas tão próximas a mim, tão lindas e que, ao meu ver, não tinham grandes problemas com o corpo, recusaram a fazer essa foto por não se acharem magras ou com os seios grandes e bonitos o suficiente.
Não é pelas fotos que não vou fazer, ou pela resposta que sequer consegui dar a elas, mas pela urgência em ensinar nossas meninas que o corpo é casa, é único e é lindo do jeito que é. Que cada mulher carrega em si os traços de mil lugares e culturas. Que tudo bem não querer se mostrar porque isso é uma escolha, mas que ninguém se ache incapaz de fazer qualquer coisa por mais essa violência. Que a busca seja sempre pelo conforto e pela paz consigo mesmo e não por medidas e tamanhos.