Meu medo é de ter tudo

Tenho pensado bastante em ti ultimamente. Tenho pensando se realmente mereço o porto seguro que és em minha vida. Você é uma pessoa tão extraordinária e eu, infelizmente, tudo que posso ofertar é essa inquietação cotidiana e um mau-humor matutino horroroso.

As vezes penso em pedir, e até suplicar, para que não seja esse ser humano tão docemente calmo e gentil enquanto eu me culpo pelos problemas do universo e tenho minha duras crises existências. Não posso permitir que seja uma serena poesia com esses teus braços fortes e esse teu cheiro doce, quando tudo que tenho são pensamentos tristes e dolorosos.

Não me olhe gentilmente de uma forma que eu não consiga lhe encarar. Não me agracie com esse sorriso de menino amável ao mesmo tempo em que tento viver minhas obrigações engessadas do cotidiano. Não me conte o quanto sou magnifica e como te faço bem. A cada palavra pura e delicada sua, me sinto menos merecedora de cada uma delas.

É tudo tão bom que eu já nem sei se posso retribuir.

O que me mata na gente é perceber que não precisamos conversar por várias horas todos os dias. Nem que eu precise recostar em teu peito para que me afagues o cabelo. Tampouco preciso ouvir você falar apaixonadamente sobre Rock and roll. Mas papear com você, ganhar cafuné e te ouvir falar sobre suas histórias por horas a fio é o que eu mais quero nesse momento.

Não por necessidade, porque se fosse isso, não seria relevante o que sinto, seria somente algo que eu preciso. Eu poderia, hoje por exemplo, ficar em casa, sem fazer nada. Mas eu preferiria estar ai com você. A minha vida sem você não seria impossível. Eu não ia morrer nem me isolar do universo. Mas que com você os meus dias seriam muito mais brandos, não há como se contestar.

Então esquece toda essa incerteza e fica, vem pra baixo da coberta. Eu esquento teus pés frios dentre as minhas pernas. E se por acaso um dia, do teu afeto eu pensar em duvidar, me mostre que já te dei motivos suficientes para que você queira ficar.

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