O amor em tempos de notificação
Tenho percebido o amor cada vez mais. Sou uma pessoa declaradamente melancólica e dramática. Tudo pra mim é cena, roteiro, conto ou romance. Qualquer história é passível de escrita. E o amor dá uma escrita daquelas.
Tenho olhado ao meu redor e para dentro de mim. Em todo canto o amor se manifesta de uns jeitos complicados. Sou jovem e sei o que grande parte das pessoas mais velhas pensam dos jovens. É mimimi, é preguiça, é um montão de adjetivo que desqualifica o tanto de sentimento estressante que a gente sente. Sou defensora árdua dos sentimentos joviais, afinal, do que mais seria? Sou jovem.
Diante desses dois parágrafos, o que eu tenho a dizer é que desejo muita força para os jovens que amam. Tem aquele meme lá que não vou citar aqui porque quero tentar fazer um texto bonito. Mas sim, tá difícil de viver um romance. Tá difícil olhar pro lado e imaginar aquele amor ardente porque geralmente a gente tá ansioso demais, inseguro demais, triste demais, cansado demais. O amor ardente parece impossível e se acontece é tão efêmero que a gente já sai correndo. Correndo em direção a outra cilada.
Eu disse que tenho percebido o amor e tenho olhado ao redor. Sabe o que isso me fez concluir? Que o amor em tempos de notificação não é fácil de se viver. Se eu entrar profundamente no mérito de toda a sociedade imediatista, não saio mais. E já que a gente é tão imediatista assim, se esse texto ficar muito longo você não chega ao fim, e eu preciso que você chegue. Preciso que você viva comigo o conceito de amor nos tempos de notificação.
cabeça baixa, corcunda, dedo mindinho amassado. Celular, celular, celular. Tudo bem! Não sou inimiga da tecnologia e da internet. Mas fala pra mim se essa coisa de celular não deixa a gente meio lelé da cuca? A espera por ela. A notificação.
Instagram, Facebook, Tinder, Whatsapp. Cadê comentário no storie? Cadê a reação no meme? Quem é o próximo match? Cadê meu love mandando bom dia? Não mandou? Sumiu? Caralho, não me quer mais. Pronto. Insegurança. Ansiedade. Difícil!
Não me leve a mal. Não quero ser a inimiga das mídias e nem dizer que estar na espera de uma notificação é o problema da sociedade e da falta de responsabilidade afetiva dos outros. Não digo pra pegarem papéis e penas de volta. O amor em tempos de carta não sou quem sei dizer como foi. Apenas digo, meus amigos, que o amor em tempos de notificação é treta.
Se você não se identifica e o problema sou eu, peço desculpa por ter lido até agora e lidado com meu desabafo. Mas sim, pra mim essa coisa de esperar o celular dar um sinal de vida e mostrar se quem eu amo, quem eu tô apaixonada, quem eu quero tá ali, tá respondendo... Isso dá uma agonia danada.
Talvez eu seja muito dramática e melancólica, mas o amor em tempos de notificação acaba comigo.
