A bolha da Bruna

Acervo pessoal.

Conheci a Bruna Morgan em 2013, logo quando comecei a publicar meus desenhos e minhas tirinhas na Marionete. A Bruna fazia quadrinhos adaptados de poemas de autores clássicos, como Henry David Thoreau, Brett Elizabeth Jenkins entre outros. O desenho dela era todo torto e lindo. Mostrava uma artista muito autêntica e muito mais concentrada na expressão dos seus sentimentos do que especificamente na estética.

Recorte de um quadrinho de 2013.

Desde aquela época eu me identificava muito com o trabalho dela: sempre gostei de trabalhos borradinhos, pois, para mim é na “falha”, no desenho de “criança”, nas experimentações de cores que encontro a personalidade do desenhista. E isso a Bruna tem de sobra.

Nós conversamos um bocado nos últimos anos. Fizemos parcerias, trocamos divulgações e certa vez abri um sorrisão quando ela me disse que para ela eu era uma inspiração. Olha só, que alegria! Fiquei muito feliz em inspirar alguém como a Bruna, ela é uma artista foda!

Acervo pessoal.

Desde 2013 a sua página Universo em Bolha de Tinta cresceu bastante e ela tem, a cada dia, alcançado um maior número de fãs. Os desenhos coloridos em uma narrativa rápida e profunda (cheia de sentimento) tem chamado a atenção do público jovem que propaga seus quadrinhos por todo Facebook, dando a página hoje 180.000 mil likes!

Depois desses anos na estrada de artista independente, a Bruna está dando um grande passo: acaba de lançar seu primeiro projeto no Catarse, uma plataforma de financiamento coletivo, com o intuito de financiar seu primeiro livro de quadrinhos. (No Catarse você pode contribuir com o valor de acordo com o seu bolso e escolher os brindes, vamos ajudar essa bb a lançar esse livro lindo).

Bruna, quando e por que você começou a desenhar?

Digo que comecei duas vezes, a primeira foi bem pequena, minha avó e minha mãe me deixavam com papéis e canetas a tarde inteira, então eu era aquela criança silenciosa que ficava num canto distraída desenhando.

A segunda vez foi aos dezoito anos, antes disso eu desenhava, mas não desenhava com um propósito. Comecei a desenhar então porque precisava tirar sentimentos e pensamentos ruins do peito e da mente. Sentia que precisava colocar minha bagunça em algo, e somente escrever não estava funcionando.

Quais são suas inspirações atuais?

Eu gosto de observar as coisas e as pessoas, tenho uma sala no meu cérebro onde guardo os detalhes que pego por aí e transformo em algo. Todos os meus desenhos tem uma pose, uma roupa, um objeto na cena que remete à alguém, mesmo que não fique explícito. As pessoas me inspiram e os sentimentos delas também.

Qual foi a sua reação ao ver que tantos amam e se identificam com o seu trabalho?

Eu ainda fico surpresa todos os dias! Nunca fiz divulgação em massa, nunca corri atrás, pois sou muito tímida e tenho medo de incomodar os outros. Então todo o público que tenho hoje, acredito que veio por causa dos meus amigos e das páginas de arte e conteúdo que me divulgaram bastante sou muito grata por isso. Meu coração bate mais forte sempre que alguém vem me dizer que ama e se identifica com meus desenhos. Sinto que um dos meus propósitos é produzir arte e tocar as pessoas de alguma forma.

Você está visando o lançamento do seu primeiro álbum em quadrinhos, quais suas expectativas com este fato?

Todas as expectativas do mundo! Brincadeira huahua, eu já fui publicada em algumas coletâneas de quadrinhos, junto com quadrinistas incríveis, mas nunca tive uma publicação inteiramente minha. É um dos meus sonhos e objetivos, e foi feito com muito amor e dedicação. Minha expectativa é bater a meta e lançá-lo na FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) desse ano, onde estarei dividindo uma mesa com a Marionete (Você,rs!). Depois, pretendo lançar em SP, e no RJ, onde moro.

Acervo pessoal.

Eu ainda estou aqui por causa da arte, ela é uma das coisas que me salva todos os dias. Conseguir desenhar enquanto tenho depressão é um desafio, mas no final me sinto aliviada e feliz. Não tenho como descrever como me sinto ao ser reconhecida por meus desenhos.

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Obrigada por chegar até aqui!

Beijos e até a próxima,

Mari