Sobre ser bela

(05/08/2016)

Li uma postagem da Ilana Villar que me levou a pensar como minha disforia corporal (sim, disforia) me levou à depressão e é algo contra o qual tenho que lutar diariamente. Olhar meu corpo no espelho sempre foi apavorante pra mim. Muitas mulheres devem experimentar o mesmo, essa sensação de estar num corpo que é deformado, que não lhe pertence (e, é claro, isso é um construto de nossas mentes e da nossa sociedade). E por sempre ter tido amigas desde a infância que eram padrão, eu tinha certeza que o meu corpo era o problema. Minhas coxas grossas e ombros largos, meus seios fartos e braços gordinhos. Eu me mutilei de mais maneiras do que posso elencar (só não fiz plástica), e todas elas apenas me garantiam que eu nunca conseguiria ser igual às minhas amigas. O mais magra que fiquei na vida inteira foi 76kg, tomando anfetaminas e destruindo minha saúde corporal e mental. E fiquei muito magra. E doente. Muito doente. E aí, ou eu focava no que eu tinha/tenho de bonito e bom, ou eu nunca recuperaria a sanidade. Eu comecei a gostar de como eu era toda proporcional, como pin-ups bem rechonchudas da década de 1960, como a Hilda Pin-up, como mulheres dos cabarés burlescos. Eu comecei a amar minha boca, meus olhos e o fato deles funcionarem bem no meu rosto. Em como minhas mãos pareciam belas quando eu falava gesticulando, e como meu sorriso acendia tudo ao meu redor. Mas as coisas em que mais me foquei foram traços de personalidade. Sou extremamente sensual, adoraria ficar com alguém como eu. Porque gosto do prazer conjunto, de dar prazer a quem eu amo. Dou beijos longos e trabalhados, sentindo toda a boca de quem eu beijo, respirando sua respiração, sentindo seus gemidos na minha boca. Gosto demais disso. Sou engraçada e topo a maioria das aventuras que me sugerem, mesmo com medo da novidade, desde que não seja nada que me coloque em posição de risco físico ou emocional real. Sou companheira demais e fico do lado de quem eu amo até o fim e faço desprovida do desejo de receber algo de volta, faço porque amo e cuido de quem amo. Sou mega carinhosa e terna, amo dar carinho, fazer carinho, fazer massagem, fazer comidinha. Me dizem que tenho uma afetividade felina, de me enroscar, ao ponto de ronronar, e uma lealdade canina, de destruir quem machucar quem eu amo. 
Vamos focar nisso, gente. No que temos de belo, de incrível, no que somos únicas e deliciosas. E sacar que o espelho não é um inimigo, que nossos corpos são lindos no formato deles, que nossas expressões de sensualidade e sexualidade são maravilhosas. E esperta é a pessoa que souber aproveitar toda a maravilha que podemos oferecer, seja nas relações amorosas, quanto nas amizades. 
Bjas