Como inovar em um mundo onde o gênero não faz mais sentido?

Durante o Festival Path, pude participar do workshop criado em parceria entre a Box 1824 e a Escola Design Thinking, foi uma experiência muito interessante, porque tivemos pouquíssimo tempo para aplicarmos o Design Thinking dentro da proposta, mas os resultados foram incríveis, acredito que tenha sido um conjunto de fatores: perfil das pessoas, considerando que a maioria naquela sala estava aberta a criar soluções inovadoras (acredito também, que a grande maioria já tinha passado por um processo de Design Thinking em algum momento), e conteúdo apresentado pela Box 1824 para dar base para a prática posterior.

O conteúdo apresentado pela Box 1824 abordava a morte do gênero, nos mostrando que a forma como as pessoas se veem e constroem suas identidades, está mudando. Estamos vivendo uma grande quebra de paradigmas de estereótipos, onde as pessoas já não se encaixam nas caixinhas analíticas tradicionais, mas a pesquisa que eles desenvolvem vai além, nos mostra que as pessoas, na verdade, nunca se encaixaram e que estavam apenas silenciadas pelo modo como a mídia e a sociedade procuraram nos padronizar. Mas este cenário está mudando e não é mais possível esconder ou limitar a verdade que está dentro das pessoas.

A pesquisa mostra que somos formados de uma complexidade muito maior do que apenas sexo biológico e orientação sexual, somos feitos de nosso sexo biológico (a forma como nascemos), orientação sexual (como nos relacionamos com as outras pessoas), identidade de gênero (como nos identificamos) e papel de gênero (nosso comportamento). Enxergando dessa forma, é possível entender que é realmente impossível descrever as pessoas apenas por gênero, idade e classe social, porque somos muito mais que isso e precisamos nos identificar com as marcas e as mídias, considerando todo o conjunto de complexidade que somos formados. Uma das conclusões mais interessantes que a pesquisa da Box 1824 chega é sobre o conceito de “sair do armário” que não cabe mais para homossexuais e transsexuais, mas que com tantas pessoas se mostrando ao mundo como pensam, como se identificam, heterossexuais também começam a assumir seus gostos e suas identidades com maior força, influenciando todos ao seu redor.

Entendendo um pouco melhor sobre o que seria a morte de gênero, a Escola Design Thinking propôs o seguinte desafio: Como podemos criar brinquedos infantis num mundo em que as diferenças de gênero não fazem mais sentido?

Tínhamos apenas 1h30 para criarmos soluções para a pergunta, mas com tantos questionamentos gerados depois da apresentação, cercada de pessoas dispostas a criar soluções inovadoras e quebrar padrões, as soluções que foram criadas eram fantásticas, desde RPG onde meninas teriam mais força ou igual aos meninos, um robô que muda de personalidade aleatoriamente, para propor brincadeiras que não diferenciam meninos de meninas, até uma loja que não propõe brinquedos novos, mas apresenta uma proposta de não haver mais setorização por gênero, mas sim por habilidades, brinquedos educativos e distribuição de folhetos para incentivar os pais a deixar seus filhos escolherem livremente seus brinquedos, não importando se for um menino querendo levar uma boneca, por exemplo.

Mesmo com pouco tempo, mas com muito esforço e vontade de criarmos soluções que possam solucionar um problema tão grande, que é sentir-se parte de uma sociedade desde criança, sem medo das suas escolhas, sem medo de julgamentos da família, amigos e escola, pode ajudar muitas crianças a crescer com mais auto-estima, seguras e o mais importante, únicas.

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