A farsa de ser adulto

Confesso que eu achei que ia me acordar inda, maravilhosa sem espinhas e pronta para tomar ótimas decisões de vida na manhã dos meus 18 anos. Não sei de onde tiraram esse marco aleatório de idade, mas certamente não conhecia os adolescentes.

A verdade é que ninguém acorda adulto, nem aos 32 (mais já?), muito menos aos 18. E com o tempo a gente vai vendo que o que mais admirava nos adultos, essa capacidade de saber de tudo e tomar todas as decisões, não é porque eles (ou nós) realmente sabemos o que fazer, mas é simplesmente a vida.

Não dá para ficar na cama, embaixo das cobertas sem fazer nada eternamente. Então a gente levanta, faz um bom café e finge na melhor das nossas habilidades artísticas que sabe o que está fazendo.

Porque ninguém sabe ao certo o que é ser adulto e o que é para fazer. A verdade talvez seja bem menos glamourosa do que a idéia inocente que as crianças tem dos adultos. Tem muitos boletos, tem que marcar e se arrastar ao médico sozinho quando você está doente, tem que carregar as compras e, o pior, tem que cozinhar para sobreviver. Nada menos glamouroso do que isso.

Por outro lado, a realidade dá um certo conforto. Afinal, se ninguém sabe exatamente como ser um adulto, o que você estiver fazendo ai não pode estar tão errado.

E assim seguimos, brincando de sermos adultos.