Lar
Chegou em seu lugar, lá sentia cheiro de infância. Onde todos eram grandes, mas com vestígios de pequenos.
Juntos, poderiam vê as brincadeiras de antes e as mesmas risadas. Tudo tinha o mesmo cheiro, o mesmo sabor e conforto. Em momentos de trevas era disso que se lembrava e sentia falta, da alegria de antes.
Lá era seu cantinho, onde cresceu e contava os dias para chegar. Onde tinha toda a sua histórias e de seus antepassados, cravados em longos murais nas paredes daquela longa casa. Tinha seus próprios sentimentos e momentos por eles, através de relatos contados dos grandes aos menores, como uma espécie de “telefone sem fio”. Assim, a experiência era passada dos com mais idade e com atenção e devoção os mais novos absorviam.
No casarão não tinha lugar para dores, lá todos se vestiam de seres novos, sem o pesar do viver. Só tínhamos espaço para o amor e a família.
Lá era seu lugar, seu lar, seu refugio, naquele lugar velho e singular, porém feito por e para muitos plurais.