Por favor, não escreva

marianna ferrodri
Nov 4 · 1 min read

As respostas hoje não vêm.
Você me pediu para que eu falasse. Falasse na sua cara
Que eu respondesse com um tapa
Com um beijo, com o tempo
Mas me pediu: por favor, não escreva

E ilhada no seu desejo, corrompi a fonte
Abdiquei da capa e contra-capa
Nada valia mais que te ver sossegado, meu bem. Valerá ainda depois
Quando a caneta encostar no papel e desmachar como laço desmancha nos dedos
E seu desejo-veneno subirá pelos braços, artérias, coração. Será o congelamento do meu vício

E vai ser um escândalo, uma noite de porre
Serão os gritos da Lapa, selarón
Serão as dores da rua que falarão no meu ouvido – e eu não escreverei

Mas, por favor, não me peça de novo
Que aqui dentro já tá tudo torto
De tanto tentar por você.

    marianna ferrodri

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