
Por favor, não escreva
Nov 4 · 1 min read
As respostas hoje não vêm.
Você me pediu para que eu falasse. Falasse na sua cara
Que eu respondesse com um tapa
Com um beijo, com o tempo
Mas me pediu: por favor, não escreva
E ilhada no seu desejo, corrompi a fonte
Abdiquei da capa e contra-capa
Nada valia mais que te ver sossegado, meu bem. Valerá ainda depois
Quando a caneta encostar no papel e desmachar como laço desmancha nos dedos
E seu desejo-veneno subirá pelos braços, artérias, coração. Será o congelamento do meu vício
E vai ser um escândalo, uma noite de porre
Serão os gritos da Lapa, selarón
Serão as dores da rua que falarão no meu ouvido – e eu não escreverei
Mas, por favor, não me peça de novo
Que aqui dentro já tá tudo torto
De tanto tentar por você.
