
Pra desembaraçar o que senti
eu comecei a te escrever antes mesmo de te conhecer
eu sabia que seria difícil, que a distância seria um problema e que demoraria um tempo pra gente se ajeitar
quando te conheci, meu corpo te reconheceu e na hora soube que era você
eu te escrevi poemas de amor mesmo quando não era amor ainda o que sentia, mas eu queria que fosse
podia te chamar qualquer hora do dia e você estava lá, um quase perfeito ouvinte pros dias que ventava forte por aqui.
eu sabia que seria eu e você, querendo ou não, porque eu já não controlava pra onde minhas pernas iam
não tinha mais jeito: tinha que ser
e foi nos seus olhos que vi pela primeira vez como se comportava meu corpo quando estava inseguro
foi na sua boca que senti pela primeira vez o gosto do meu grito pedindo espaço
a vontade de querer estar perto e a saudade que eu sentia de você acabaram com meus planos de auto-amor
e eu buscava esperança em mim, inutilmente, porque eu ainda acreditava que eu poderia me sentir completa ao lado de quem me arranca pedaços
você dizia que o que eu escrevia era cruel mas cruel era o que me fazia sentir e tentar expor em versos longos que travam a respiração.
“jamais serei o que você espera”
você alegava pra não precisar se desculpar se errasse
e errou muito, mas eu não podia dizer nada porque já havia sido avisada que você erraria sempre
e quis ficar.
estou acabando comigo mesma com essa história de amar por inteiro
nem mesmo a intensidade do teu abraço é a mesma
estou deglutindo e me engasgando com o que eu mesma dizia: eu nunca vou me submeter
estou me afogando nos copos, no colchão, nos seus braços, no destino
eu continuo não tendo controle, mas já não é mais algo bom de se sentir
