Procuram-se calopsitas

Há algo de podre no reino das calopsitas. Pelo menos aqui, onde transito, nas áreas mais afortunadas da zona oeste.

Não sei se mais alguém reparou mas, pela terceira vez no último ano, me deparei com aquele cartaz mais antigo que o Velho Oeste de: procura-se. Procuram-se calopsitas.

Pirulita, a pássara do anúncio aqui defronte ao meu local de trabalho, parece ter sumido há mais de 10 dias.

Já a exposta nos murais das redondezas da Sumaré, não consigo dizer. Sei que alguém muito poético advertiu ao dono, em caneta, no próprio cartaz: “Deixa ela voar”.

Pensei, a princípio, se tratar de alguma revolta da classe. Ou então que os gatos da esquerda caviar descobriram que caviar não tá com nada, e que o bom mesmo é calopsita, como sugere o amigo aqui embaixo:

gato comeo haha

Jamais saberemos.

Não me preocuparia tanto com as caturras, como (descobri que) as chamam nossos colonizadores, não fosse 1) a quantidade de cartazes que pipocaram nos últimos tempos e 2) a simpatia que adquiri pelo animalzinho depois da virada do ano.

Quando saí, dia 26 de dezembro, da casa de Ubatuba da amiga Lúcia Galvão para ajudar a descarregar o carro dos queridos Rocha e Camila, me deparei com um puleiro não com uma, mas duas calopsitas — assustadas e até meio histéricas depois de sofrerem um ataque do polêmico Cosme, um beagle incauto. Pensei, na mesma hora: “mas quem tem um bicho desses de estimação?”. É a pergunta que sigo fazendo para donos de peixes, apesar de eu já ter tido um peixe. O Abelardo, coitado, que morreu explodido com a própria evacuação — que não foi evacuada, diga-se de passagem. Mas essa é outra história.

Sei que a Cã me convenceu, ao longo da viagem, de que as calopsitas têm lá sua personalidade que se manifesta, por exemplo, na busca verdadeira de um parceiro. Elas vivem, pelo o que entendi, em casais, o que é um problemão para o seu calopsito Ícaro, que é a alma gêmea da Sol, mas que por sua vez tem como alma gêmea a própria dona, Camila. Ao que parece ele foi para casa dela muito cedo e não deu tempo de se apaixonar por um dos seus. Talvez o problema maior seja da Sol, mas imagino também que o Ícaro viva lá a sua crise existencial. No mais, os dois parecem muito satisfeitos.

Sol (esq) e Ícaro (dir) aos pés da Camila

Pensando agora, acho que resolvi o mistério das calopsitas perdidas. Elas devem estar buscando o amor verdadeiro. No próximo cartaz que avistar, acho que irei eu advertir o seu dono: “Deixa ela se apaixonar”.

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