Ubermania

Mesmo polêmico, o Uber é simples, prático, mais barato e ainda estimula o trabalho autônomo — muitos profissionais desempregados hoje são motoristas desse serviço de transporte alternativo


Se você ainda não testou, sugiro: experimente o Uber. No início, parece complicado. Ter que pagar apenas com o cartão de crédito, entender a tarifa (que flutua de acordo com a oferta e demanda), avaliar os motoristas. Mas é simples. Aliás, é tão simples que chega a ser estranho: basta entrar no carro, chegar ao destino e sair, sem mais — certamente um bom dia vai bem.

Mesmo eu, que odeio ficar dentro de um carro, simpatizei com o Uber. Por diretrizes de conduta da própria empresa, o serviço deve ser o mais agradável possível: com ar condicionado, água, motorista simpático, ou simpática. É uma sedução sem escrúpulos. O usuário pode até pedir um carro que comporte seu cachorro (UberPET), ou então um UberBike para quem, como eu, não conseguiu voltar pedalando depois de um jantar farto e quase inescrupuloso.

É uma tecnologia própria do século 21 que, desprendida da matéria, promove o tráfego de pessoas via automóvel sem possuir nenhum carro — todos pertencem aos motoristas, que pagam uma tarifa do seu serviço ao Uber, sem nenhuma garantia trabalhista. É a institucionalização do trabalho autônomo e, justamente por isso, tem recebido muitos trabalhadores que encontravam-se desempregados.

José Antonio, por exemplo, me disse que sempre foi corretor de imóveis, mas que a baixa do mercado imobiliário fez com que ele mudasse de profissão, optando pelo Uber. Hoje ganha tanto quanto ou mais do que no antigo ofício.

Marcos era motorista particular, de modo que já tinha o carro próprio para trabalhar como UberBlack, a categoria mais luxuosa do aplicativo.

Já a Mirna era vendedora de shopping e, apesar do emprego ir bem, queria fazer os próprios horários, trabalhando quando bem entendesse “sem ter que bater cartão, sabe?”. Aliás, é notável o esforço do Uber para chamar mulheres ao volante. Segundo newsletter que eu recebi em março, a empresa lançou uma parceria com a ONU para criar um milhão de oportunidades de negócio para elas até 2020. Além disso, desde que aconteceram casos sinistros de assédio e violência contra mulheres provocados por motoristas da Uber, nos Estados Unidos, a empresa tem uma política clara de proteção: se uma cliente se sentir assediada, o motorista é cortado imediatamente do programa.

É claro, para mim, que o Uber veio pra ficar. Independentemente de regulações por parte da Prefeitura ou do lobby taxista, não há exatamente como impedi-los, porque já superaram o serviço padrão e, na maioria das vezes, por um preço mais barato. Apesar de não ser entusiasta do uso de carros na cidade, percebo que os motoristas do Uber tendem a ser mais pacíficos, praticam a boa convivência e respeitam outros modais que transitam em São Paulo — algo raro e caro à cidade.


texto originalmente publicado na Revista 29HORAS distribuída no Aeroporto de Congonhas

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