um desabafo

(pensei em me desculpar pelo que sinto, pensei que estava sendo emocional demais, mas o que eu posso fazer? é o que eu sinto, nessa mesma intensidade, ou até um pouco mais.)

eu não lembro exatamente do dia ou da hora em que me apaixonei por ti, não lembro de quando pensei “caralho, eu casaria com esse homem”, não lembro quando fiquei completamente cega por ti. eu lembro de estar sentada na aula, contando às pessoas sobre você, lembro de estar falando como me sentia ansiosa de sair contigo novamente, e de como fiquei animada de termos marcado um próximo encontro, lembro exatamente do nosso primeiro beijo e também da primeira vez que você disse que me amava — e da primeira vez que eu disse de volta.

eu não lembro da primeira vez em que senti vontade de transar contigo, mas lembro da nossa primeira transa — admito que essa lembrança ficou um pouco distorcida de tanta maconha que fumamos. eu lembro da primeira vez em que senti vontade de namorar contigo, de ficar contigo, de te ver todos os dias, lembro como eu ficava feliz só de pensar em ti.

eu tento ao máximo não ser sentimental quando se trata dos nossos problemas, mas isso é uma parte de mim que não consigo me livrar de jeito nenhum.

sinceramente, não acho que você me magoou, ou quebrou meu coração, ou qualquer outro clichê que quiser usar para dizer que estou triste. acredito estar triste por não poder estar contigo, não poder te tocar, não poder te beijar, não poder falar que te amo.

e eu te amo.

amo até as piores partes de ti, amo tua história, amo teu cabelo bagunçado, amo ouvir tua voz logo de manhã, amo teu sotaque, amo tuas mãos, e amo também tuas mãos nas minhas. amo teus pés, amo tuas costas, amo cada milímetro do teu corpo, até aqueles que tu não consegues amar. amo quando tu diz que me ama, amo tuas piadas ruins e teu péssimo senso de humor, amo teus olhos, e amo quando eles se encontram com os meus. amo transar contigo, amo gemer teu nome e amo sentir teu corpo tão próximo do meu. amo também andar de mãos dadas, amo ver filmes ruins contigo, amo reclamar dos filmes ruins, amo tomar sorvete contigo, ir no parque, te acompanhar no trabalho, ajeitar tua cama.

amo tua preguiça, amo tua lentidão, amo teu lado racional, amo o jeito que tu fazes contas, amo o jeito que tu ficas quando está sério, amo o jeito que tu me irritas, amo até o que eu não deveria amar em ti.

eu te amo de um jeito que nem as 500 mil palavras da língua portuguesa poderiam descrever.

admito que fico triste com nossa briga, admito que a cada segundo que não estou contigo eu morro um pouco por dentro, admito que me dói ver teu nome no topo da minha lista de contatos e não poder falar contigo. admito que dói não poder expressar todo o meu amor por ti.

eu espero do fundo do meu ser que a gente consiga superar isso, que a gente consiga resolver isso do melhor jeito possível, espero que a gente possa voltar a ficar juntos.

agora, eu te odeio.

eu odeio teu cabelo bagunçado, odeio como tu não sabes arrumar a cama, odeio teu lado racional, odeio a cara que tu faz quando ficas sério. odeio como tu não expressa teus sentimentos, odeio como tu faz contas tão rápido, odeio teu sotaque, odeio o jeito que tu diz que me amas. odeio as cicatrizes nos teus braços, odeio tua barriga, odeio tuas pernas, odeio teus pés, odeio tua voz preguiçosa de manhã. odeio transar contigo, odeio o jeito que nossos corpos se encaixam, odeio como teu cabelo fica bagunçado, odeio o jeito que tu me olhas, odeio nossa intimidade, odeio o fato de tu me conhecer tão bem e odeio principalmente o fato de tu saberes que eu não te odeio nem um pouco.

te odeio mais;

eu odeio como tu não consegues se decidir, odeio como tu foges dos teus problemas, odeio como tu se sentes assustado com algo novo, odeio como tu enterra teus sentimentos ruins, odeio como tu se auto-destrói e destrói as pessoas ao teu redor. odeio tua imaturidade, odeio o fato de tu construíres tantas, tantas, tantas muralhas ao teu redor, e continuar transparente. me odeio por não ter percebido isso antes.

nossa relação veio de um modo tão rápido, quase assustador — para ambos. tu apareceste na minha vida de um jeito que eu nunca pensaria que alguém poderia aparecer, tu me conquistou de uma maneira tão rápida, tão simples, tão inocente (e eu sei que te conquistei também). mas isso não anula nossos altos e baixos, não anula o fato de não estar tudo bem agora, não anula minha vontade de fazer as coisas darem certo novamente.

tu tomaste minha vida tão rapidamente que quando percebi, tu já eras praticamente parte de mim, eu não sabia mais não te incluir em algo, mesmo no meu subconsciente, tu estavas envolvido em algum planejamento meu. era estranho não sair contigo um dia, era estranho não falar contigo. não era tão divertido fazer algo se eu não pudesse te contar no fim do dia.

eu me vi sendo incluída na tua vida, me vi conhecendo teus amigos, saindo com teus amigos, indo para a casa deles, sendo levada ao teu trabalho, eu era assunto entre tu e teus pais, tuas irmãs. eu me vi parte da tua vida também.

nossa relação foi uma das melhores relações que já tive, eu sentia teu amor, puro, era como estar nas nuvens, era simples, era verdadeiro, era algo que eu queria sentir pelo resto da minha vida. me fazia bem, me fazia feliz, todo mundo sabia o quanto eu te amava e o quanto eu estava satisfeita com a gente — porque vamos admitir, a gente forma um casal do caralho.

dizem que o amor é como voltar para casa após uma longa viagem, eu discordo, amor para mim é viajar o mundo inteiro com alguém que te faz sentir em casa.

nós somos um casal maravilhoso, a gente se encaixa de formas que eu nem poderia descrever, nossas bocas se encaixam, nosso sexo é maravilhoso, nossas conversas se completam, nossas mãos são feitas pra ficarem juntas, nossas mentes são praticamente uma só.

nós somos praticamente um só.

nós fomos feito para ficarmos juntos.

talvez não nesse momento, nesse mês ou nesse ano.

mas eu tenho um forte sentimento de que o universo guarda grandes coisas pra nós dois, tanto como individuais, tanto como um casal.

a gente pode estar separados, a gente pode estar a quilômetros de distância um do outro, a gente pode estar sem se falar, pode estar triste um com o outro, um universo inteiro pode separar a gente,

mas a gente ainda tem muita coisa pela frente.

isso não acabou, eu tenho certeza.