doce

que me faz não querer parar

pra começar a falar dele, eu preciso falar sobre algo mais misterioso do que as meias que se perdem na máquina de lavar e menos previsível do que o fato de que elas — as meias, sempre desaparecem.

preciso falar de destino, predestinação. maktub para alguns, sorte para outros. pra mim, só um momento. acho que pra ele também. o fato é que o sujeito dessa história não tem nome. não na minha história. não na minha cabeça. não agora.

é neve.

gelado, ele consegue esconder angústias e fazer com que ninguém as perceba. curioso, ele quer sempre ir mais longe. e durar mais. ao mesmo tempo que a troca de ideias e ideais é tão constante e tão certeira, que consegue ser uma avalanche. mas é aconchegante e, cuidado! ele queima.

vou chamar de neve. sem letra maiúscula.

o destino é feito de impulsos. pode até ser que já esteja tudo escrito, mas, ah! a gente dá um empurrãozinho. e nesses empurrõezinhos a gente acaba tropeçando em pessoas que, de certa forma, seguiram os mesmos impulsos.

foi assim a primeira vez que eu vi a neve. fiquei curiosa. queria cavar até ver o que tem por baixo. ela me seguiu e eu fiquei com medo; talvez de mim mesma, do que eu poderia encontrar por lá ou simplesmente dela.

delicado. mãozinhas de anjo que parecem receber hidratação constante. olhos de urso e ao mesmo tempo de coruja. uma falha na sobrancelha direita, um jeito charmoso de apoiar a mão no queixo. não ouve. fala. e fala mais. e gosta de falar do infinito e do inexorável. e quando para de falar, sorri. sorriso inocente de quem não percebe a admiração. ou, pelo menos, não acredita.

calor com calor. sinergia. energia. explosão de detalhes que fazem muito sentido quando a flor aparece. a flor azul. saindo por trás dele. só eu enxergo. ambos sentem. se sentem.

essa história não vai ter um fim abrupto como de costume. ela simplesmente não vai ter um fim. não aqui no Medium. não agora. não antes de uma Parte 2.

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