vou direto ao ponto

o nome dele é Estrela.

Não, não é Estrela. Eu sei o nome dele, ele sabe o meu. Ele sabe que eu sei o nome dele mas eu não quero que os outros saibam. Ele tinha um estrela tatuada no braço e eu resolvi introduzí-lo como Estrela. Estrela.

Não era bonito. Os dentes meio tortos deduravam os maços de cigarro e o olhar bagunçado mostrava algo duvidoso. Uniforme em perfeito estado. Humor de quem ficara confinado na cafeteria durante o dia de sol.

Um cookie, por favor, eu disse. E dois capuccinos. Sem açúcar. Com creme.

Para construir os elétrons, Thomson utilizou da mesma concentração e minuciosidade de Estrela para com os meus cafés. Os respingos de água fervente o assustavam enquanto a espuma da bebida formava um coração. Marketing.

Sorri e ele sorriu de volta. Marlboro light, agora eu tinha certeza.

Me deixou inquieta. Me tomou de coragem e instinto. Me fazia querer pedir mais 10 Lattes e sair sem pagar. Arriscar-se.

Obrigada. Escuta, você não me emprestaria uma caneta… desculpe, qual o seu nome mesmo? Ah, um guardanapo também.

Era o mais velho de quatro irmãos e sua maior paixão era a irmã adolescente. Linda. Gostava de reality shows. Já tentara correr uma maratona e desistiu no meio. Fucking pulmões.

Gostava de viajar com o vidro aberto e de desenhos animados. Olhava pra mim enquanto dirigia. Frisava a testa sempre que eu colocava a cabeça para fora e fingia estar num filme. Me mostrou The Scripts. Me deu aulas grátis de gramática. Fingia gostar de saber todas as diferenças entre as nossas culturas. Ria da sua palidez. E eu me gabava com o bronzeado.

Cavalheiro de olhos azuis. Tá, eram verdes. Mas gosto dessa imagem com os olhos azuis. Me ensinou a jogar dardos e colocou a mão delicada no meu braço. Apenas o ante-braço move. Movimento reto. Mira bem no meio.

Já está tarde, preciso ir.

Não pediu para ficar mais. Não me convidou para dormir ali. Até pensou, mas não conseguiu. Inocência implícita e inteligente.

Te levo em casa.

Garota de Ipanema o emocionava. Mesmo sem entender nada. Emocionava mais ainda quando me via cantando. Fumando um cigarro na janela do carro. Olhos azuis, tá, eram verdes, de admiração.

Que dia lindo. Que provocação. Que coragem. O beijo carinhoso o deixou ainda mais estrelado. Tocou os meus ombros e me abraçou forte. Mais forte.

Espero que a gente possa se ver de novo, ele disse. Boa noite.

Naquela noite, comi um sanduíche de atum. No dia seguinte, fui para a aula.

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