
Sobre doses cavalares de felicidade.
Creio que depois de tantas cicatrizes e hematomas que a vida me deu, ficou mais difícil acreditar quando algo bom acontece, pode ser realmente bom. Gostaria de ter me acostumado com pequenas doses diárias de felicidade, como a maioria das pessoas costuma ter. Já eu, recebo doses cavalares de felicidade, mas de tempos em tempos, não frequentemente. Esse é o problema.
Quando a dose é muito grande, de uma vez só, eu quero ela o tempo todo, e cada vez mais, e não é assim que acontece na vida real, preciso começar a me poupar da felicidade, e tomar apenas pequenas doses, para quando a abstinência chegar até mim, esta será mais leve, e cada vez mais fácil de acostumar, pois se continuar nesse ritmo tenho medo de me encontrar em uma overdose de alegria, e como toda overdose, ela pode matar.
Além disso, quando a real felicidade deita ao meu lado na cama e me abraça, sinto a minha mente entrar em conflito, uma parte de mim acredita que eu não mereça tamanha benção, e a outra parte quer acreditar que até eu mereço uma segunda chance, então viro mais um frasco a dentro.
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