Como a música salvou minha vida
A data era 08/05/2014 e, depois de passar pelo que considero os piores dias da minha vida, eu liguei meu computador e procurei por alguma música que me distraísse. Tava meio dopada, meio não existindo. Na real, me sentia não existindo.
Fui remetida há um tempo antes em que estava tranquila na casa dos meus avós, na qual encontra-se uma infinidade de lps e cds, onde encontra-se o “Let it bleed” do Rolling Stones, álbum portador da música “You can’t always get what you want”.
Na época eu nem reparei muito na letra. Ouvi, dei uma lida na mesma e lembro de gostar. E só.
Voltei da lembrança, liguei em “You can’t always get what you want” e me lembro de ouvir repetidas vezes e chorar incansavelmente. Toda a angústia trazida com a música, lembranças e a sensação de desespero foram o começo da minha salvação.
A música sempre teve um significado enorme na minha vida desde de pequena — já falei em alguns textos, em redes sociais, pra quem quis ouvir — mas em nenhum momento pensei que ela poderia me puxar de um sentimento que jamais pensei que sairia, mesmo tendo tentado sair da forma mais extrema que existe: o sentimento de vazio.
Não que ela nunca tivesse me salvado antes. Ela tinha surgido em situações como crises de baixa autoestima (obrigada, McFly), em diferentes momentos de coração partido (agradecida, Jeff Buckley), pra me tirar da tristeza (valeu, grupo de pagodes no geral), etc. Mas é diferente quando ela salva a sua vida, quando ela te mostra que as coisas podem melhorar.
Depois daquele 8 de maio, ela meio que tomou uma forma humana na minha rotina. A música era ‘alguém’ que me aconselhava, me fazia pensar. Eu comecei a me apoiar nela e foi um apego de extrema importância, pois não só me sentia, como estava sozinha. A música era minha única amiga.
Desde então, procurei ser cada vez mais devota à música. Comecei a amá-la mais, a enxergá-la melhor e ouvir com muito mais atenção, porque ela sempre teve algo a me dizer. E ah, ela continua sendo minha amiga — a que ainda me salva e está comigo a todo momento.
