
Tomamos o caminho de volta a Brumadinho e na ponte que cruza o Paraopeba, já no centro da cidade, uma cena me chamou atenção. As pessoas se apoiavam no parapeito gradeado, observando a nova forma da “água”, viscosa, lenta e estranha. O silêncio cortado por lamentos curtos, me fez pensar que aquilo parecia um velório. O velório do Paraopeba, o cadáver de um rio. Sobre as águas, um Martim Pescador dava rasantes inúteis. Não há mais peixe nem qualquer forma de vida dentro desse líquido. Fiquei imaginando o que pensava seu pequenino cérebro de passarinho dentro daquela cabecinha azul. Ele estava tão perdido quanto os moradores de Brumadinho, que tentam ainda entender como a Vale, uma empresa bilionária, deixou aquilo acontecer. Pela segunda vez. No meio do murmúrio, a revolta ia tomando conta.