A corda.

Eu tenho medo que você morra.
Eu muitas vezes quero morrer. 
Fico aqui pensando se talvez a minha vontade de morrer seja proporcional ao medo que eu tenho que você morra. Melhor morrer do que passar pela dor de ver você morrer.

Meio egoísta, eu sei.

Como pode a gente ter medo da única certeza dessa vida?
Morte vem sendo pauta em minha vida. Mas ninguém morreu ultimamente, além de muitos conceitos e ideias.

Que coisa louca que a gente acha que a morte é caixão e cemitério e não se liga nas diversas mortes diárias que a gente sofre: acabar o sorvete, perder o ônibus, terminar um relacionamento, mudar de casa, de emprego, mudar de si.

A Phoenix morre e se refaz de suas próprias cinzas. E a gente esquece de usar a dor das nossas (pequenas e grandes) mortes para renascer. Parece que preferimos nos afogar nas nossas cinzas do que comê-las e fazê-las de alimento. 
No nariz mata, na boca alimenta. 
Precisamos aprender a diferenciar uma coisa da outra.
Deve ser esse o grande aprendizado da vida: colocar “no buraco certo”.

Como a gente aprende onde é a boca e o nariz de um lugar imaterial?

Não sei dizer. Alguém sabe?

Me sinto cansada das filosofias, mas me alimento delas constantemente. 
Elas me aprisionam. Chamo de “filosofia” o mundo de ideias que habita minha cabeça e não me leva para canto nenhum além do poço das minhas emoções. “Isso é bom”, diriam alguns. 
É sim, quando você desce preso à uma corda e tem a garantia que tem alguém ali em cima olhando a sua decida e vai te puxar de volta no momento oportuno.

A dureza é quando estamos pendendo na beira, sem ter certeza da corda ou do puxão de volta depois.

Que beleza que é viver a vida sem ter certeza de corda alguma.

**Suspiro.

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