
De verdade verdadeira
Queremos parecer mais sociais do que podemos.
Deixe-me explicar o que quero dizer. Tenho a impressão que toda nossa capacidade de ser sociais, enquanto seres humanos, está sendo convertida em aparências.
Às vezes esquecemos quem somos de fato e passamos a acreditar piamente no que queremos parecer ser (ou achamos que somos). É como se tivesse chegado a um momento em que tudo o que somos não fosse tão relevante quanto o que parecemos ser.
Veja bem as redes sociais: são infestadas de pessoas se mostrando ao mundo coisas que talvez elas nem sejam.
Pode parecer um pessimismo da minha parte, mas o desejo de conhecer bem as pessoas esbarra nesse outro ser que elas mesmas criaram — mais uma capa de felicidade e otimismo. Ninguém se permite ser triste, ou sofrer, ou ficar de mal humor. É uma cultura de “good vibes” que chega a irritar. E talvez seja por isso que é tão difícil ser feliz, porque se esqueceu de ser.
De ser de verdade verdadeira.