@mariibrand

Nada como nossa casa

Mesmo tão distante dela

Dizem por aí que viajar é bom, mas não existe nada como o banheiro de casa. Pode até ser verdade, isso se você não encontrar a sua casa em outros banheiros. Ou vice-versa.

Depois de um tempo bem longe do lugar que eu cresci, começo a me sentir em casa, a ter aquela sensação de pertencimento que não existia, nem poderia existir com alguns dias. Com o costume de andar, de ter uma vida com hábitos e certas obrigações, comecei a me sentir pertencida, a sentir que estou em casa, por mais que haja momentos que eu me sinta mais longe do que realmente estou.

Voltando do curso para o que agora é minha casa, vi a Loire e me senti em casa. Me senti como me sinto quando olho pra as pontes do centro do Recife. Me senti daqui, bem, feliz. Há alguns meses morando fora, falando outra língua, tendo outras responsabilidades, eu me tornei uma outra eu.

É estranho sentir isso, porque quebra toda minha convicção que sou recifense e pertenço à minha cidade (incluindo aqui família, amigos e toda minha vida anterior), mas ao mesmo tempo é engradecedor porque posso ser orléanaise também, posso ser daqui, mesmo com meu sotaque abrasileirado, com meu jeito de se portar e com meus valores.

Eu posso ser o que eu quiser, afinal de contas.

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