Por cidades que sejam nossas

Um breve comentário sobre Brasília e planejamento urbano.

Estive em Brasília por três dias, recentemente. Foi bem pouco tempo pra ter um julgamento significativo sobre a cidade, mas de antemão quero dizer que precisamos de cidades mais humanas.

Concreto, Niemeyer, carros. É basicamente isso que Brasília se resume. Pensando bem, ela tem um histórico pra isso, já que foi uma cidade planejada. Mas planejada pra quem?

Grandes avenidas, trânsito louco, ônibus caros, distâncias enormes. O que parecia perto, estava, na verdade, há uns quilômetros. Os carros só respeitam a faixa de pedestre porque existe uma multa infeliz pra quem não parar. O fato também de ser basicamente uma cidade de concreto também ajuda com o calor infernal, além de toda a história da umidade baixa. E não quero nem comentar sobre o preço alto das passagens de ônibus (assim como o de muitas cidades pelo Brasil).

Essa é uma cidade pra quem mesmo? Pra pessoas que não pode ser, mas deveria ser.

Pude ver uma beleza incrível nas paisagens, é verdade. Entretanto quando pensava em aproveitar algo que não fosse de concreto, eu quase não tinha opções. Bom, pelo menos em meio a isso tudo encontrei dois amigos que me mostraram que Brasília pode ser uma cidade humana, nossa e cheia de amor. Foi com um breve passeio que conheci alguns lugares lindos, que eles conseguiram dar um toque especial.

Ao voltar, só consegui pensar sobre como Brasília ainda tem muito a oferecer, a ser mais humana, mais conectada aos seus habitantes e turistas, mais viva e aconchegante.

Talvez esse seja um manifesto para muitas cidades além de Brasília, de todo coração.

Do coração de uma (quase) viajante.