Berlim — @mariibrand

Treze dias com uma mochila

E nem senti falta das minhas outras coisas

Viajei uns dias por alguns lugares e, com uma única mochila, me desafiei a ficar só com aqueles objetos por esse tempo. Pra quem me conhece, sabe que passar quase duas semanas com uma só mochila é uma loucura, mas consegui sim e foi lindo! Ao final de cada dia eu escrevi um texto de como foi, por isso esse texto será uma copilação de vários textos durante esse caminho.

Uma lembrança, um registro de momentos que agora fazem parte mim.


um de treze

Hoje foi o primeiro dia de viagem, dos treze que vou passar fora, e foi um momento bem doido na minha vida. Com mochila pronta e tudo preparado, saí de casa logo depois do almoço pra chegar mais cedo em Paris, com a intenção de não chegar muito em cima da hora no aeroporto. Dei uma volta por perto da estação e fui pro aeroporto de Orly, que foi bem tranquilo na verdade. Uma fila enorme pra checar a bagagem e pra a alfândega. Detesto essa multidão no pré-embarque, de verdade. Finalmente entrei no avião… Lá vai outra espera, com pelo menos 20 minutos de atraso. O voo foi tranquilo e rápido, deu até pra ver o mar quando estávamos chegando ao Reino Unido. Tão lindo, tão azul. Então cheguei nas terras inglesas. Que inferno de aeroporto. Depois de uma hora e meia só na fila da alfândega, não tinha ninguém pra dar informação sobre tickets e itinerários de ônibus, trem etc. Como se fosse obrigação da gente, turista, de saber como chegar no exato lugar de um país completamente desconhecido. Bom, comprei um ticket que nem sei se era o mais vantajoso, mas foi caro, e me coloquei na estrada pra chegar no hostel. Pelo menos uma hora e meia de trajeto. Ao chegar na estação próxima do hostel, em vez de ir em direção dele, fui ao contrário e quando percebi, chequei num mapa de uma parada de ônibus, e voilà, tive que voltar tudo pra achar o hostel na direção contrária. Cheguei. Viva. Sã. Salva. Cansada. Isso tudo com 15% de bateria no momento que cheguei em Londres, sem wifi e Google Maps. Fica pra mim uma lição de antes de viajar: conseguir um mapa físico da cidade, anotar num papel o endereço de onde vou ficar e sempre levar um adaptador de tomada. Ah, e levar uma caneta. Bom, por hoje foi isso, espero que amanhã eu tenha menos ódio dos ingleses e comece a gostar um pouco dessa cidade.


dois de treze

Uma longa caminhada pela cidade, por Camden Town, Hyde Park e fim de noite com Rekorderlig. Depois de tomar um café da manhã ótimo no hostel, saí pra caminhar um pouco antes de encontrar uma amiga da universidade que tá morando aqui em Londres. Cheguei até a Tower Bridge e vi aquela ponte linda e simbólica de Londres. Fiquei apaixonada, inclusive pela caminhada na beira do rio Tâmisa. Encontrei Duda no metrô, com direito a abraço de verdade! (sério, isso me faz muita falta desde que vim morar na França) Seguimos para Camden Town, mas tava rolando uns trabalhos no metrô que nos obrigou a pegar um ônibus pra chegar até lá. Fez um sol lindo! E calor também. Caminhamos pelas ruas de Camden, cheias de lojinhas de souvenir, camisas, sapatos e todos os estilos que você pode imaginar. É lindo ver tanta gente diferente em um lugar só. Passeamos pelos mercados e lojinhas, tiramos foto com Amy Winehouse e compramos algumas coisinhas. No almoço, foi o básico, mas com um precinho bem lindo. Importante isso quando você é viajante e não pode gastar tanto (inclusive porque a libra é uma facada). Então decidimos de ir à Notting Hill, mas acabamos ficando em Westbourne, descansando um pouco no Kensington Garden, ao lado do Hyde Park. Vi um esquilo! E me apaixonei por ele, tão fofinho. Dali decidimos comprar comida e bebida para voltar pro hostel, o qual não pudemos ficar (porque tem aquele esquema de só poder beber a bebida deles, uó) e fomos pra a casa dela. Ah, um senhor funcionário do metrô foi uma benção na minha vida, me ajudando a economizar na compra de passagem de metrô e ônibus. Percebi que sou meio desatenta com isso de bilhetes de transporte… Pra não dizer burra mesmo. Mas é que não sou obrigada a saber é nem sempre tem alguém pra dar informação ou que, ao menos, seja solicito. Bom, de qualquer forma foi um dia que me fez amar Londres.


três de treze

Agora com duas amigas, comecei o dia vendo a troca da guarda no palácio de Buckingham. Nem sei se posso dizer que vi, porque ficamos num lugar bem longe de ver a troca, mas valeu a pena ver os soldados marchando próximos à gente. Uma fofura só aqueles mocinhos com aqueles uniformes. Também tava um calor imenso, só na sombra pra aguentar. Atravessamos o Green Park e seguimos para aquele lugar chamado Notting Hill, onde várias lojinhas incríveis aguardavam a gente. Foi lindo passear por aquelas casinhas coloridas e lindas, ver a casa de George Orwell, comer um burguer maravilhoso, ver gente estranha, andar e andar mais. Demoramos um pouco mais pra saber onde achar a livraria do filme, mas conseguimos! Apesar de eu nem ter visto esse clássico. Eu sei, vou ver assim que chegar em casa. Ao voltar, já estava morta pela caminhada durante o dia inteiro e nem conseguimos fazer mais nada. Direto pra o hostel descansar, porque amanhã tem um monte de museu pra visitar e ser feliz.


quatro de treze

O último dia aproveitável em Londres tinha que ser nos museus. Cheguei no Tate Modern antes de abrir, e ainda assim não consegui, nem conseguiria, ver tudo, num dia só, quem dirá nas duas horas que fiquei lá. Mas a visão panorâmica de Londres, lá do décimo andar do Tate, foi digníssima. De lá segui pela Millennium Bridge, para o museu seguinte, o Victorian and Albert Museum. A ideia era passar no Natural History Museum antes, mas desisti ao saber que a fila era de quarenta minutos. Almocei e passei o começo da tarde me apaixonando pelo V & A. Só consegui ver três andares, mas a paixão me pegou (tentei escapar, não consegui) e vou voltar quando tiver a oportunidade porque é um museu incrível demais. Ao sair de lá, andei e passei pelo Hyde Park, em direção ao British Museum. Antes queria ter ido no National Gallery, mas infelizmente tive que escolher um deles. O British tava bem lotado e, quando vi a multidão, até fiquei desaminada de ver as exposições. Não gosto de apreciar os museus quando estão cheios de gente, assim bem cheios mesmo. Com a wifi do museu até consegui falar um pouco com minha mãe, depois fui embora e aproveitei a wifi da Starbucks pra confirmar o passeio da London Eye com Duda. Logo nos encontramos e fomos direto pra a roda gigante. Um passeio digno das vinte e cinco libras que pagamos. Lindo de morrer. Que vista incrível. Aproveitamos pra tirar aquelas fotos de turista, no Big Ben e tudo. Que passeio maravilhoso, fiquei muito feliz em ver toda essa maravilhosidade de cima. Então fomos pra a Oxford Street, finalizar nosso rolê e minha estadia por lá, com direito a um grande esbarrão num cara na estação. Foi hilário. Jantamos e continuamos andando pela Oxford, sem agonia e curtindo o friozinho. Pra voltar, já bateu aquela saudadezinha, mas preciso dormir um pouco porque amanhã saio bem cedo daqui. Logo quando a gente começa a se acostumar, já tô indo embora… É o mal de viajante, né. Mas amei estar aqui e já tô sentindo aquela saudade.


cinco de treze

Já tinha escrito esse texto, mas por alguma razão não foi salvo, então lá vai mais uma vez. Saí de Londres logo cedo e cheguei ainda pela manhã em Colônia (Köln), na Alemanha. O friozinho me acompanhou desde que acordei e acho que vai ser assim até o final da viagem. Uma pena porque eu queria usar meu short de flamingos novamente. Bom, tive o mesmo problema de falta de informação pra chegar na estação central, de onde eu partiria pra vim pro hostel. Parece que nenhum país que fui até agora tá preparado pra essa informações simples de tickets de trem, metrô e ônibus, por mais que não tenha nenhuma comparação com o Brasil. Pelo menos gastei menos do que em Londres e cheguei tranquilamente no centro de Köln. Logo que saí da estação (lição de alemão: hauptbahnhof significa estação central) dei de cara com a catedral linda daqui e, pra chegar no hostel, passei por um centro que lembra o centro das cidades lá na França, com cafés, restaurantes e lojinhas. Só não descobri mais coisas porque estou bem cansada e preferi relaxar hoje. Amanhã tenho um dia todo de descobertas em Köln. Ah, aliás de primeira já acho todo mundo daqui mais tranquilo e educado que em Londres, ao menos no meu quarto do hostel, que inclusive é um amor e bem limpo. Bom, amanhã tem mais.


seis de treze

Amanheceu com frio e chuva, só consegui levantar de dez horas da manhã. Pela fome consegui me arrumar logo e sair do hostel, descobrindo que logo embaixo (o hostel fica no sexto andar de um edifício) tem um supermercado. Só alegria. Comi tranquilamente e fui andar pelo centro. Não tinha lá tanta coisa pra fazer, já que decidi poupar o pouco dinheiro que tenho pra aproveitar Berlim, então decidi fazer um tour de ônibus, que valeu a pena demais porque além de passear sentada e tranquila, tinha um áudio com toda explicação dos pontos turísticos e sobre a cidade. Foi ótimo de verdade. Quando voltei caminhei pela borda do rio Reno e só lembrei da rua da Aurora, em Recife. Tão lindo. Fui de um lado ao outro, apreciando a paisagem e tudo, voltei pra ir num lugar chamado Neumarkt, acho que era isso, e foi memorável a caminhada por uma ponte por motivos de vento, MUITO vento. Achei que minha hora tinha chegado, que o vento ia me levar com tudo, mas sobrevivi, ainda bem. Caminhei mais um pouco e decidi comprar umas batatas fritas pra não quebrar a tradição de sempre comer batata frita nas minhas viagens. Só que a moça da loja não falava inglês e acabei comendo batata frita com salsicha, que era bem gostoso na verdade. Segui de volta pro hostel, pegando o caminho mais longo pra passear mais. Comprei selos pro meu pai numa lojinha de livros que achei. Descansei um pouco pra tomar coragem de sair e tomar uma cerveja, mas acabei comprando no mercado e tomando no hostel mesmo. Foi uma boa ideia, hoje foi um dia preguiçoso pra mim pra fazer interações sociais. Bom, amanhã tô indo pra Berlim e vai ser massa. Tô com um sentimento ótimo sobre isso. Até!


sete de treze

Foi um dia de alegrias incríveis. Fiquei bem feliz de fazer amizade com uma italiana muito gente boa em Köln, uma pena que tive que ir embora. Parti para o aeroporto e tudo mais, aquele cansaço de sempre de pegar avião. Cheguei em Berlim num frio chato, coisa estranha já que é verão. Finalmente tive informações suficientes pra não fazer merda ao pegar o trem pra vim pro hostel, me senti bem vitoriosa com isso. Ao chegar na Alexanderplatz, já fiquei apaixonada pela cidade. MUITO APAIXONADA MESMO. Acho que é mais por conta do clima cosmopolita daqui, não sei, mas amo Berlim. O hostel tava cheio, mas animado, um clima legal. Mas fiquei chocada ao ter que pegar os lençóis de cama e eu mesma ter que colocar. Como assim? Foi também o que pensei quando um brasileiro entrou no quarto e começamos a conversar. Fiquei tão feliz com a companhia de João, as histórias, as cervejas e tudo. Então fomos comer no lobby do hostel e um outro amigo dele se juntou à gente, o Niklas. Foi massa tomar uma cerveja e conversar com eles a noite toda, com direito a amigos de amigos e amigas novas. Saldo super positivo do dia, fiquei imensamente feliz com tudo. Obrigada.


oito de treze

Acordei tarde, bem tarde, e morrendo de sede. Parti logo pra procurar um supermercado e encontrei um ótimo perto do hostel, num shopping center. Tomei meu café da manhã-almoço por volta de 12h e decidi fazer um tour hopp on and hopp off. Foi incrível porque pude visitar os lugares mais importantes (e turísticos) de Berlim numa tarde. Tirei foto de tudo, escutei a história e passei mais tempo no Topography des Terrors, um museu incrível e de graça, sobre o Muro, o Nazismo, a Gestapo, o pós guerra. Incrível, maravilhoso, foda. Fiquei apaixonada. De lá, comi um bratwurst (típica salsicha daqui) com pão e batata frita e continuei o tour até o ponto de volta. Foi só o tempo de descansar um pouco pra sair com as meninas que conheci no primeiro dia para o pubcrawl. No caminho conheci uns brasileiros e acabamos ficando juntos a noite inteira. Foi ótimo, mas eu não tinha muito dinheiro pra gastar, então foi meio apertado. Do primeiro pub, fomos pra um segundo bem uó, porque só tocava músicas que eu não gosto muito. Depois fomos pra a Matrix, uma boate muito massa, com quatro espaços e músicas diferentes. Conheci mais três brasileiros, uns ingleses e holandeses. Foi uma ótima escolha pra sair e ver gente e tal, foda demais. Pra voltar pro hostel acabei me complicando um pouco porque precisei mudar de linha de metrô, mas consegui chegar. Como estou escrevendo esse relato no dia seguinte, posso dizer que acordei bem tarde, depois de ter chegado quase 7h no hostel.


nove de treze

Como escrevi antes, acordei bem tarde, ainda com ressaca do dia anterior. Demorei e preguicei pra levantar, mas fiz isso e logo conheci Edgar, o espanhol que também tá aqui no quarto. Ele é muito gente boa, é designer e vai fazer um curso na Bauhaus. Fiquei em inveja. Conversamos muito e acabamos saindo pra comer juntos no café da manhã-almoço. Então nos separamos e cada um para seu lado. Caminhei até a East Side Gallery, onde tem uma parte enorme do Muro de Berlim. Escolhi ir no The Wall Museum, porque como meu dinheiro tá pouco, eu não posso ir pra vários museus. Acabei ganhando um pedacinho do muro de souvenir. Passei um tempão no museu, vendo tudo em todos os detalhes. Amei. De lá fui tirar umas fotos no muro como lembrança e voltei caminhando por outra avenida bem bonita. Cheguei no hostel com os pés doendo de tanto andar, mas foi um ótimo dia. Vou descansar bem pra fazer o free tour do hostel amanhã e visitar alguns outros lugares que ainda não fui.


dez de treze

Mais uma vez perdi tudo o que escrevi e vou ter que fazer de novo. Bora lá. Meu dia já começou com uma cilada. Já não tenho muita grana e não posso me dar o luxo de comer coisas caras. Achei que o café da manhã do hostel era incluso, mas eram sete euros na verdade. Tive que pagar né, mas fiquei puta porque com esse dinheiro eu poderia ter comprado muito mais coisas no mercado. Bom, logo depois segui para o free tour. Foi incrível! O guia tinha informações detalhadas e o roteiro foi muito bom. Se eu soubesse que era tão bom, eu teria feito logo quando cheguei, em vez de pegar o ônibus, mas vivendo e aprendendo né. Passamos por alguns lugares que eu já tinha visitado, mas que valeu mais a pena por conta das informações. O que mais marcou, pra mim, foi quando paramos num pequeno jardim, perto de vários prédios de residência… Foi ali que ficava o bunker de Hitler e onde o corpo dele foi queimado, depois dele ter cometido suicídio. Fiquei impressionada em como cada canto dessa cidade tem uma história particular e já passou por tanta coisa. Logo depois fomos no Memorial dos Judeus, aquele que tem vários retângulos de concreto. Fiquei com uma vontade de chorar quando entrei ali, foi algo inexplicável de verdade. Em pensar que tanta gente foi morta por conta de um outro cara com a mente insana é muito bizarro. O silêncio, as passagens, o labirinto, a vista. Tudo me arrepia até agora. É um sentimento muito estranho que tive ali. Terminamos a visita no portão de Brandemburgo, onde segui para tirar umas fotos melhores do Reichstag, que eu já tinha passado antes. Então decidi ir no Mauer Park e ver também o Berlin Wall Memorial. Andei bastante pra chegar lá, mas o memorial é incrível. Aqui tive o mesmo sentimento louco de perceber que naquele lugar aconteceram coisas muito loucas, mortes e fuzilamentos e tudo mais. Já no Mauer Park o clima tava bem diferente: mercado de pulgas, comida e música. Foi massa demais! Eu teria gostado mais se tivesse com uns amigos, mas né, foi o que deu pra ser. Vi várias roupas velhas lindonas (amo brechó), objetos decoração, comi e fui embora, porque o caminho de volta também era longo. Caminhei durante uns quarenta minutos até chegar na Alexanderplatz. Então fui no mercado, mas já tava fechado e depois decidi comi no Burguer King. Aqui eu preciso dizer que foi o melhor lanche do BK que eu já comi, tava quentinho, bem temperado, fresco, uma delícia. E ainda ganhei um pinguim porque era um menu kids e eu nem me toquei. Voltei no hostel e cá estou descansando as pernas pra amanhã, que vou fazer um tour alternativo, e de graça. E vou tentar ir no Bauhaus Archive ou no Tempelhofer, se minhas pernas aguentarem. Boas!


onde de treze

Estou escrevendo esse texto no dia seguinte porque a dor de cabeça tava me matando ontem. Acordei tranquila e logo me arrumei pra sair, a intenção era pra um free tour alternativo, pra ver street art, mas eu precisava chegar na East Side Gallery, onde era o meeting point. Comprei a comida pro dia inteiro, tomei café da manhã. O tempo tava bom, mas tava batendo um vento frio e, às vezes, o sol atacava com tudo. Já tava com a garganta bem fodida, e só piorou. Quase fiquei sem voz. Cheguei cedo demais na East Side Gallery, esperei bastante pra poder encontrar a menina do tour, e olhe que eu tava no lugar errado ainda, apesar que o Pirates tem entrada em vários lugares. Ao som de Rammstein esperei até a hora e logo encontrei a guia. Partimos para o tour e foi ótimo, principalmente porque o bairro (acho que é o Friedrichshain) é bem alternativo e lindo, com uns pequenos parques, prédios antigos lindos e street art em todo lugar. Teve até um desenho dos Gêmeos! Fiquei bem feliz de encontrar esse muro. A guia era ótima, contou histórias massas e até parou pra tomar uma cerveja com a gente. Achei que eu ia ver mais street art como a dos Gêmeos ou Finok ou vhils, mas não achei nada demais assim, até acho que no Brasil tem muros mais bonitos. Bom, de toda forma foi bem legal, conheci uma galera e foi de graça, né. Depois disso tomei a péssima decisão de ir no Tempelholfer Feld andando. Péssima ideia mesmo, porque o infeliz é muito longe. Andei pelo menos uma hora sem parar, quando finalmente cheguei no aeroporto abandonado. O Tempelhofer Feld funcionava mesmo e, como todo aeroporto, é enorme. A pista de decolagem, o terminal, o campo, enorme demais. Tanto é que quando cheguei me sentei num banquinho não muito longe de onde entrei, pra poder sair por um lugar mais perto. Meus pés não aguentavam mais, de verdade. Dei uma longa pausa lá, comi e vi uma galera empinando pipa, com patins, skate e tudo. Na volta peguei um trem que tinha uma estação perto, porque eu não aguentaria voltar andando. Eu tava preocupada com o dinheiro, mas economizar dois e setenta não ia me levar a nada, então peguei o trem. Cheguei no hostel mais rápido do que eu pensava, umas seis horas da noite, e apenas descansei. Dormi um pouco, esperando se alguém dava um sinal de vida tomar uma cerveja, qualquer pessoa mesmo, mas não rolou. Acabou que fiquei ainda mais cansada e, com minha garganta doída, comecei a ter uma dor de cabeça bem chata. Comi um pão com suco, tomei meu banho e fiquei mexendo no celular, até que Edgar, o espanhol que tava dividindo quarto comigo, chegou. Ele me convidou pra sair com a amiga dele e ele, mas eu precisei arrumar minhas coisas. Na verdade eu tava tão cansada, com os pés e a cabeça doendo, que ter alguém pra sair não tava nem me animando. Fiquei por lá, arrumei tudo, tomei um dorflex (na verdade tomei um antes do banho e um antes de dormir) e deitei. Não consegui dormir fácil, porque tava com muita dor de cabeça, e quando consegui, chegaram umas meninas fazendo um barulho triste, falando alto e balançando minha cama. Até que dormi mais facilmente depois. E foi isso.


doze de treze

Hoje foi meu último dia em Berlim. Já fiquei chorosa e continuo, porque amei a cidade e tudo mais. Acordei por volta de nove horas pra tomar um banho, me arrumar, fazer o check out e pegar o tour pra Potsdam que saía do hostel. Fiz tudo isso, mas quando fui perguntar sobre o tour à menina que tava no meeting point, ela disse que não ia rolar porque o cara tava doente, mas me deu a dica de fazer um outro tour pra lá, só que começava no Portão de Brandemburgo e era três euros mais caro. Ok, fui. Antes comprei umas comidinhas no mercado e parti andando para lá. Só fiquei preocupada com a hora, porque eu não ia chegar lá a tempo, então peguei um ônibus e logo cheguei. Foi ótimo. Apesar de não contar com as passagens de trem que precisávamos comprar, nem foi caro. Pegamos um metrô e depois um trem pra chegar em Potsdam, uma cidade ao lado de Berlim. Lá conhecemos vários palácios, o principal, palácio de Sanssouci, o Neues Palace, umas casas de hóspedes que era mais palácios do que casas. É um lugar insano, muito grande, digno da megalomania de Friedrich The Soldier e The Great. Amei a história que a guia contou, fatos na verdade. De lá passamos pelo antigo Portão de Brandemburgo de Potsdam, indo em direção a uma rua bem fofinha, cheia de cafés, lojas e restaurantes. Almoçamos por lá, ou melhor, eles almoçaram por lá, porque eu tinha levado uns pães e sanduíches do mercado. Depois seguimos para o Cecilienhof, onde aconteceu a conferência de Potsdam em 1945. Lindas são as flores no centro da casa, que os soviéticos deixaram pra dizer quem mandava ali. Um pequeno lembrete em forma de estrela vermelha. Do jardim víamos um rio, mas nem sempre dava pra ver, porque ali passava o muro de Berlim. Muitas pessoas tentaram passar por aquela localização, mas morriam porque tinha a death strip, né. Bom, seguimos pelo parque, passando por uma parte de nudismo (sim!), até chegar na Bridge of Spies. É, aquela do filme de Spielberg. É engraçado perceber que aquela ponte ordinária foi palco de trocas de espiões durante a guerra fria. A guia até comentou que a ponte tem duas cores, um verde mais claro e outro mais escuro, indicando que até na cor os dois lados não entravam em consenso. O tour acabou ali, então pegamos um ônibus e um trem até voltar pra a Alexanderplatz. Como eu tinha comprado um ticket diário, pensei logo em pegar um ônibus e descer em seu terminal. Fiz isso! Mas como não tinha trânsito nem nada, foi relativamente rápido. Fui da Alexanderplatz até o Zoo, desci lá e vi um restaurante brasileiro, com bandeiras do Brasil e o Cristo redentor no topo. Claro que precisei ir lá pra ver o que tinha pra comer né. Nada do Brasil. Só a caipirinha que era sete e cinquenta. Enfim, voltei e peguei outro ônibus pra ir pra a estação central, mesmo sabendo que ali perto eu já podia pegar um ônibus pra o aeroporto. Desci na hauptbahnhof e peguei o ônibus pro Tegel. Cheguei bem mais cedo do que imaginava, e vou ficar aqui até amanhã de manhã, porque meu voo só é às seis horas da manhã. São oito e meia agora, espero que eu sobreviva bem.


treze de treze

Sobrevivi à noite no aeroporto e à volta pra casa! Foram onze horas no aeroporto até a saída do avião do Tegel pra Orly. Escrevi o texto anterior quando ainda estava no aeroporto esperando, dormindo, lendo, escutando música, e agora já estou em casa há um dia.
Bom, foi bem louca e cansativa a noite no aeroporto, não gostaria de repetir, mas infelizmente é mais barato e menos preocupante pra mim. Quando foi por volta de umas onze horas, meia noite, um segurança falou pra mim que o terminal ia fechar e era pra eu ir pra outro. Fiquei super confusa na hora porque aquele era o terminal que eu ia pegar o avião! Como assim ele ia fechar? De qualquer forma tive que ir pro outro terminal, atravessando uma passarela descoberta, onde pude ver que a cidade tava cheia de neblina e fria. Me instalei no outro terminal, mas não consegui dormir por conta do chão frio (não tinham cadeiras pra me acomodar). Esperarei, esperei, esperei. Por volta de três e meia da manhã decidi ir pro terminal que eu ia pegar o avião, porque eu tinha já tinha visto algumas pessoas indo para lá e imaginei que estivesse aberto. Engano meu, todas elas estavam do lado de fora esperando o terminal abrir, no frio. Esperei lá também e, como eu já tinha feito meu check in, foi só ir para o embarque, onde esperei mais uma hora. Quando subi no avião e me acomodei, nem vi o tempo passar porque dormi toda a viagem. Só tive o prazer de ver Berlim de cima, com o sol nascendo. Foi o presente mais lindo de despedida que essa cidade pôde me dar. Ao chegar em Paris, gastei meu pouco dinheiro pra comer e descansar um pouco enquanto dava a hora de pegar o blablacar de volta pra Orléans. Fui para o ponto de encontro, que era relativamente perto e simples de chegar, mas pra minha surpresa lá tava tendo uma suspeita de atentados, bomba, sei lá, algo assim que o policial não pôde me dizer. Acabei encontrando uma menina que ia pegar a mesma carona que eu, conversamos e tudo, foi ótimo. A viagem pra Orléans foi bem tranquila, com direito a música e a conversa, como se a gente fosse amigo. Foi uma ótima primeira experiência com blablacar. Cheguei em Orléans e vim direto pra casa, organizei minhas coisas, tomei aquele bom banho de volta de viagem, preparei uma comida rápida (que foi minha primeira refeição com garfo e faca nesse tempo inteiro de viagem) e dormi. Acordei pra encontrar uma amiga (nem sei como aguentei na verdade) e foi um ótimo fim de dia. Quando cheguei em casa já tava bem casa e acabei nem escrevendo e deixei pra hoje. Bom, foi isso.


depois de treze

A saudade já é infinita, sinto que aproveitei muito bem, mas agora preciso voltar ao ritmo normal. Talvez a parte mais difícil de uma viagem seja a volta à vida normal. Se eu pudesse voltar, faria muitas coisas diferentes, mas acredito que quando as coisas acontecem de tal jeito é porque era pra ser assim. De qualquer forma tô muito feliz de ter feito essa viagem. Foi linda e maravilhosa. Estou escrevendo esse texto no sábado, três dias depois de ter voltando (na quarta) e minha nova família também voltou hoje, ou seja, tudo de volta ao normal a partir de amanhã. Não sei se tô preparada pra isso, mas preciso estar. E tenho que dizer que tava com saudade deles, de verdade. Fazem umas três semanas ou mais que não estávamos juntos. Bom, também já estou planejando a próxima viagem, porque isto é o que me faz realmente bem: viajar. Entretanto, para isso, preciso trabalhar. E é aí que vem a parte complicada, mas que vale a pena o esforço.

Bora nessa!

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