Chegou a hora. A hora é agora… Eu não sei bem para onde estou indo. Muitas vezes quero acreditar que sei, quero acreditar em mim… Mas a verdade é que eu não sei. Foram anos e anos me esforçando para ser o que me diziam que devia ser… Todas as pessoas pareciam sempre saber para onde eu devia ir. Mas será que sabiam mesmo?

O que eu sei, é que existe algo gritando aqui dentro. Algo que precisa ser dito, ser expressado… Me conectar com as pessoas, mostrar que eu existo e que dentro de mim mora uma verdade tão grande, mas tão grande que ela até parece desaparecer quando eu me vejo então cercada de metas, de listas de coisas a fazer, de sonhos de grandeza não realizados.

A verdade é que eu sigo na ponta da faca. Será que sou tão maravilhosa como quero acreditar que sou? Ou será que sou uma farsa que não está mais conseguindo enganar nem a mim mesma? Mas não me permito essa dúvida… Os gurus da alta performance falam em confiança e entusiasmo então para lá sigo eu… Engolindo meus medos e inseguranças, vestindo minha melhor máscara de “estou dando certo gente, acreditem!” (porque nem eu sei mais se estou acreditando).

A verdade é que estou apenas girando e girando, num ritmo vertiginoso, tal qual os elétrons ao redor do núcleo do átomo, tal qual os planetas ao redor do Sol… Tudo acontece tão rápido que sequer tenho tempo de recuperar o fôlego e ao menos rodopiar com a elegância e o estilo da bailarina que minha mãe apresenta aos familiares e amigos como sendo Eu… Não! Eu estou descabelada e atordoada… E antes mesmo que os destroços dos furacões das minhas águas internas possam ser conhecidos, amanhã eu acordarei para mais um dia, para minha tentativa de café da manhã sem glúten, sem lactose, sem açúcar, nem frutose, com meditação e yoga. Serei acordada por minha filha cristal que diz para as pessoas que eu sou a pessoa mais sabida que ela conhece, e também de volta ao meu saldo bancário que por vezes me faz desacreditar dessa tal sabedoria. E terei mais uma vez a escolha de seguir na direção cambaleante que acredito ser aquela que me aproxima do centro da Luz, orbitando na certeza do não chegar, desejando auto-gerar algumas alegrias pelo caminho.