The Moon
Não sei se é história ou crença clichê que a gente vai absorvendo pelo inconsciente coletivo. O fato é que, depois dos meus 20 e poucos anos (mais precisamente depois dos 20 e três), eu retomei um hábito que (mais uma vez, segundo o inconsciente coletivo — mas aqui eu boto fé, porque me lembro disso mesmo), nós humanos temos quando criança: enxergar o Mundo com a curiosidade de quem “nada sabe”, mas tudo absorve com alegria e espanto de primeira vez.
A diferença é que, após o meus 20 e três, eu “já sabia alguma coisa da vida” ( ou não, mas isso é destrinchar para outros textos), e o enxergar o Mundo com curiosidade vem seguido de um leve déjà vu.
E ela, a Lua, passou a ser o meu objeto de observação favorito. A cada vez que eu a vejo, é como se fosse a primeira vez. E nesse momento eu fico com a mescla de sentimento de me exercitar para aproveitar o Agora do enxergar e sentir a Lua com todo o meu coração, e o sentimento de nostalgia de outras Luas que já contemplei no passado, e que me fazem brotar cenas de conversas, rostos, sentimentos, sensações.
Então, eu diria que a cada vez que eu olho para Ela, é um momento sagrado de inspirar e expirar bem fundo, celebrando o Agora, mas também reverenciando e aceitando o Ontem com gratidão.
Ela e eu sentadas na areia olhando a transição pôr-do-sol anoitecer na Ilha do Mel.
Ela e eu caminhando juntas pelas pedras de Paraty, e assombradas. Eu com a sua imponência e ela com a sua capacidade de ser tão grande.
Ela e eu olhando para o alto entre os prédios da capital paranaense, só para tirar a dúvida de se hoje ela está cheia, fininha ou cor de rosa. E ela só aguardando o meu parecer para se encher toda e plena em brilho.
Ela e eu sentada na calçada do Torto, divagando sobre o Universo e as estrelas, já que ela faz parte desse sistema a tantos milhares mais de anos que eu, e entende a complexidade desse emaranhado. Então eu só escuto.
Ela e eu. Apenas.
