Carta de Apresentação — Movimento Marília Resiste

-O que somos?
Somos um movimento formado por pessoas que não concordam com o modelo de sociedade em que vivemos. Somos estudantes e trabalhadores comprometidos a construir uma cidade mais justa por meio da organização e da construção do poder efetivo do povo. Somos anticapitalistas pois reconhecemos que esse sistema prejudica o pleno aproveitamento de nossas vidas de maneira digna e livre.
Somos, portanto, a resistência dentro de um sistema opressor e predatório e nos dispomos a enfrentrá-lo. Para isso, precisamos mobilizar todos aqueles que se dispuzerem a questioná-lo e combatê-lo, de modo a impedir os avanços na retirada de direitos sociais e da privatização e concessões dos bens públicos.
Apenas nos organizando e articulando as forças de esquerda combativas de Marília é que conseguiremos resistir ao machismo, à LGBTfobia, ao racismo, ao conservadorismo, à degradação do meio ambiente, ao coronelismo e a toda forma de política que ataque os trabalhadores e promova a manutenção de uma sociedade desigual.
-O que queremos?
O Movimento Marília Resiste promoverá a agitação e organização da população de Marília a fim de construir um poder político popular que se oponha às forças capitalistas que dominam a política atual.Queremos fazer deste movimento um meio para a discussão dos problemas da cidade para que possamos, juntos, encontrar soluções. Nessa perspectiva, queremos discutir e transformar Marília de modo que a população participe e construa a cidade em que queira viver. Desta forma, defendemos uma radicalização da democracia, ou seja, que a população tenha meios reais de participação direta na política local para além do voto eleitoral. 
Queremos fazer parte de uma rede integrada com diversas forças políticas da cidade que tenham um norte político compatível com o de nosso movimento, a fim de somarmos forças. 
Queremos valorizar a cultura popular local por meio da promoção de espaços de música, de teatro e de dança, que servirão também como um espaço para discussão política.
Queremos construir na cidade uma população politicamente mais ativa que gere uma pressão por mudanças reais para todos. Queremos, portanto, construir o Poder Popular.
-Por que queremos?
Vivemos em uma sociedade capitalista, na qual os trabalhadores fornecem sua mão de obra aos patrões em troca de um salário com o qual podem se alimentar e viver. Os patrões ficam com a maior parte da riqueza produzida pelos trabalhadores, concentrando poder econômico e, por consequência, político. Por meio do financiamento de campanha, por exemplo, conseguem ter influência sobre as decisões tomadas por nossos governantes. O modo com que os impostos são arrecadados, as taxas de juros, o preço dos alimentos e do combustível, a qualidade do ensino, a qualidade do sistema de saúde, a infraestrutura das cidades e comunidades etc. são questões determinadas quase sempre na política tradicional, dentro do que chamamos de “governo”. O que observamos, porém, é que o povo não-organizado exerce pouca influência nesse governo. Assim, os políticos eleitos pelo povo atendem a interesses que em geral favorecem os mais ricos e poderosos, mesmo que para isso seja necessário atacar e retirar direitos civis e sociais.
Vivemos a política neoliberal que promove privatizações de empresas públicas, com piora dos serviços públicos, corte de direitos e de programas sociais. 
Na cidade de Marília não é diferente. A política mariliense é pautada por interesses oligárquicos e coronelistas, a serviço de um modelo concentrador de poder e renda. Por exemplo, recentemente, observamos a concessão por 30 anos da administração da empresa de distribuição de água e esgoto da cidade (DAEM), ou seja, entregamos ao setor privado aquilo que é do povo. Podemos citar, também, o gerenciamento das unidades de saúde pela Gota de Leite, outra empresa privada que gerencia o bem público, dentre vários outros exemplos.
Sabemos que o fim do capitalismo é algo a ser alcançado a longo prazo, porém isso não impede que nos mobilizemos agora para colher o futuro que queremos. Barrar as medidas neoliberais, como a entrega do gerenciamento público para empresas privadas e o retrocesso nos direitos trabalhistas são ações, dentre outras, que podem ser organizadas agora. O primeiro passo deve ser nos organizar politicamente e partir pra luta social junto aos trabalhadores marilienses.
-Como queremos?
Entendemos que a direita avança de forma cada vez mais articulada e que a esquerda não conseguiu propor um projeto alternativo que mobilizasse a classe trabalhadora para a construção do poder popular, portanto urge a necessidade da construção de um movimento que articule a esquerda na cidade para o enfrentamento do conservadorismo e aprofundamento das relações de opressão. Propomos, então, nos articular em rede com outras forças progressistas na cidade.
Vamos nos organizamos periodicamente para decidir quais atividades realizar na cidade. A nossa ideia é propor rodas de conversa sobre temas pertinentes a população, no mínimo uma vez ao mês, sempre conjuntamente com alguma intervenção artística, seja encenação, leitura de poemas, música, pinturas, enfim, incluir de alguma forma as mais diversas manifestações artísticas. A partir desses encontros, queremos realizar ações para que se concretizem nossos desejos, como atos públicos, ocupações, paralizações e qualquer outra forma de pressão popular. Propomos a realização de espaços de convivência na cidade como feiras de venda ou de troca de produtos e de eventos que expressem toda forma de arte e que somem politicamente. Acreditamos que a arte seja a forma mais lúdica de se fazer política, portanto damos a devida importância.
Queremos também aproveitar a tecnologia atual a nosso favor, seja pela utilização das redes sociais, seja por aplicativos que possam ser utilizadas como mais uma ferramenta para a nossa luta política.
Conclamamos toda a população mariliense a tornar a cidade cada vez mais nossa! Queremos uma cidade feita pelo e para o povo!