Cá estou. 5h da manhã, uma TPM fodida, acompanhada do bom e velho black dog. Pela primeira vez em tempos estou nua. Nua de moralismos, julgamentos, receios. Já nem sei quando foi a última vez que fiz isso, sabe? Vir aqui. Mas acho que esse é o tipo de coisa que a gente nunca desaprende. Tem um amigo (amigo?) meu que diz que “só tem uma coisa que te faz escritor: a escrita.”. Ser escritora não é bem o meu tipo, tentar não sufocar com o silêncio definitivamente é e, bom, cá estou.

Infelizmente, eu só escrevo quando as coisas não vão bem. Nunca fui boa em me expressar de qualquer forma, logo não espero empatia. É foda. Eu juro, juro juradinho que tô tentando todo dia não desistir, mas não vou negar o retrocesso. Não vou negar o ciclo de encobrir prazerosamente minha decadência com álcool tanto quanto o bêbado do Pequeno Príncipe, e fingir que está tudo bem. Não aqui. Não está tudo bem porra nenhuma. Tudo bem é o caralho. Mas, curiosamente, está tudo bem. Não precisa estar um desastre pra ser um desastre, entende? A vida é um desastre por si só. O meu dilema interno acontece a cada dia mais, e desculpa espiritualidade, mas tem dia que não tem como debater com Kafka, Dostoiévski ou a realidade. E é aí que eu me perco. É difícil acreditar em todas essas paradas fofas e boas e pregar a positividade quando o existencialismo faz TODO o sentido. É difícil acreditar no mundo das propagandas de margarina e absorvente quando simplesmente se vive. Eu realmente acreditei por um momento que era recuperável, e que esse vazio cessava. Mas não cessa. Não cessou há 7 anos, não vai cessar daqui mais 7.

“Você não pode fazer isso”, eles dizem. Mas também não posso fazer aquilo. “Você teria coragem?”, eles dizem. “Mas como você teve coragem?”, os mesmos repetem. Ma petite Amélie, saiba que minha vida é você e por você. Não me orgulho em dizer que minhas tendências a ser uma Amy Whinehouse eram grandes se você não viesse aqui, e eu ainda acredito que é você quem me salva, mas… do quê? De quem? Calma, não tô dizendo que vou desistir. Gostaria. Adoraria. Na verdade, eu realmente quero, mas eu sei onde isso te afeta, e você, ma petite, é o único ponto relevante dessa coisa toda que chamam de viver.

Eu me esforço, mas não tá fácil. E vou continuar, porque sou obrigada, mas eu acho que já me tornei um daqueles casos irrecuperáveis que só existem, mas não existem, entende outra vez? E sinceramente, está tudo bem. Pelo menos eu sigo aqui, e eles ali. Pelo menos assim eu posso escrever às 5h da manhã sobre o fracasso sem ninguém me encher o saco. E beber minha cerveja. E aguardar pela minha próxima crise de ansiedade. E saber que amanhã vai ser outro dia, mas ao contrário do que Chico insiste em cantar, não vai passar.

Enquanto eu digo “one day closer to death”, eles dizem “the show must go on”. Mas o que seria eu, senão apenas another brick in the wall?