Marginal

Mari Mendes

À margem estou
e intrigada observo o rio caudaloso
e quando atento à corrente
irrefreável movimento
procuro um repouso
para aplacar a vertigem

Um discurso paira ao meu redor
sussurra: “Vai também”
agonizo, porém,
freio o impulso
porque da beira vejo o que passa
sei de intensidade e de direção
mas não tomo parte delas

Agora tranquila
acomodo-me à borda
finco os pés na lama
e percebo tantos outros e outras
ombro a ombro comigo
brotamos em uníssono

A beirada, enfim, é parte do fluxo

A periferia é o contorno
dá forma ao que é central
na fronteira habito, pois, um espaço

O curso do rio, afinal
depende da margem
de sua constância, textura
e resistência.

Mari Mendes

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Escrevo porque me quero

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