Ei, você…

Chega mais perto, pode me conhecer, perguntar meu nome, sobre o lugar onde vivo, conversar sobre estudos, séries e trivialidades, e quem sabe, talvez, um dia, você pode ficar comigo, me encher de carinho e palavras de afeto, pode pegar na minha mão no passeio no parque, acariciar meu rosto, me tirar o ar com beijos intensos. Também pode me encontrar mais vezes, me dar bronca quando ver que eu tenho mania de tirar cutículas com o dente, pode ficar sabendo que quando eu abraço forte, mordo os lábios de leve, que faço caretas enquanto durmo e que vez ou outra, acordo chorando de pesadelos que me paralisam, pode descobrir que eu não gosto de chorar com pessoas por perto e que não gosto que me perguntem porque estou os prantos.
Você pode me levar pra cama, descobrir que eu gosto de ser dominada, que eu gosto de sexo barulhento, que tenho alguns fetiches e vez ou outra, fico insegura com meu corpo e gosto de transar no escuro, pode chegar mais perto, olhar nos meus olhos e ver que minha bochechas ficam vermelhas conforme o olhar permanece fixo, pode descobrir meu jeito tímido de ser no dia-a-dia, que eu choro no transporte público, sem que ninguém perceba, quando vejo uma cena muito linda ou muito triste, pode ir comigo ao supermercado, descobrir que eu adoro ficar olhando as prateleiras de iogurtes para sentir o frio da geladeira. Você pode me acompanhar por anos, pode fazer parte dos meus textos bagunçados e da minha agenda desorganizada.
Só não diga que não temos uma relação de verdade, não me encha de perguntas sobre outros amores, não descredibilize meu jeito de gostar, não duvide do sentimento que eu digo ter, não acorde com insegurança em relação a nós, pois se eu digo que te gosto é porque te gosto.
Por favor, não me machuque dizendo que meus amores não são válidos, não me diga como amar, não me ensine sobre esse sentimento que transborda e pulsa no meu corpo todos os dias, não me massacre, não me desestabilize, não diga que eu não sei amar. Pois de amor eu sei, eu vivo, eu multiplico, eu milito, e modifico a lógica cruel do desamor, então você pode ficar, se aconchegar, se entrelaçar, se emaranhar, se encharcar, se esbaldar, se esparramar, mas lembre-se que eu não sou seu lar e a minha casa você não vai bagunçar.

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