Moi, je vais à Paris
Completamente desnecessário dizer o quanto sou apaixonada por Paris. Quem me conhece minimamente sabe que eu adoro tanto essa cidade que, às vezes, parece até exagero. Leio tudo que é livro sobre o assunto, adoro o idioma e até meu TCC foi sobre Paris. Por que tudo isso? Vai saber, só sei que é assim.
Depois de um bom tempo juntando grana e de uma promoção mágica de passagens aéreas ter praticamente caído na minha frente, em 2015 arrumei uma mochilinha e passei uma semana sozinha na cidade dos meus sonhos. Foi o suficiente para eu ter certeza absoluta de que precisava voltar, precisava morar pelo menos um ano naquele lugar.
Assim que voltei procurei um curso de francês e comecei a me programar. Já conhecia bem o programa Au Pair por meio uma amiga que tinha passado um ano nos EUA e sabia que era o intercâmbio ideal para mim nesse momento: barato, fácil, de estudo e trabalho e sem vínculo com nenhuma universidade ou área específica (aquela crise existencial básica envolvendo a profissão escolhida).

Eu queria passar um tempo pensando no próximo passo, mas também aprendendo coisas diferentes, conhecendo pessoas, viajando e ganhando uma graninha. O Au Pair era a escolha perfeita.
E as coisas foram acontecendo. Estudei francês em seis meses como nunca estudei nenhuma disciplina nos quatro anos de faculdade (espero que meus familiares não leiam isso) e em novembro comecei a procurar famílias. Meu plano era ir logo assim que me formasse, em abril de 2016.
Nas primeiras semanas online uma família do sul da França entrou em contato comigo. Eram duas crianças de nove e seis anos. Fizemos um Skype e nos demos bem de cara! Fechamos, mas a mãe começou a me pressionar para ir no fim de março, data de saída da outra au pair. Fiquei muito em dúvida, mas não queria ir embora sem colar grau, sem “me livrar” da faculdade. Não queria deixar nada em aberto. Além disso, uma voz na minha cabeça sussurrava toda vez: mas não era Paris que você queria?
Resolvi desistir dessa família e dei um tempo nas buscas em dezembro. Nos primeiros dias de fevereiro aconteceu o milagre: a família dos meus sonhos entrou em contato comigo. Próximos do centro de Paris, três meninas de 10, 8 e 6 anos, salário bom, rotina bem definida e o pai brasileiro, portanto uma das minhas tarefas é ajudar as meninas na aprendizagem do português.
Marcamos um Skype e nos demos super bem. Facilitou muito a comunicação o fato do pai falar português. Depois que conversei com ele, não deu tempo de fumar um cigarro e a mãe já me ligou, conversamos e no mesmo dia demos match.
Como eles queriam uma au pair para agosto, tive seis meses para me programar. Terminei meu estágio, meu TCC, me formei e fiz com tranquilidade todo o processo do visto.
Eu sempre estive certa dessa escolha, sempre quis passar um tempo fora do Brasil e aprender outro idioma. Fui atrás de tudo, mas JAMAIS conseguiria sem a ajuda dos meus pais e o apoio dos meus amigos. Espero um dia poder retribuir tudo isso.
Embarco dia 12 de agosto com o coração leve, preparada para enfrentar qualquer coisa e com a certeza de que qualquer experiência será válida, afinal, je suis à Paris! :)